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O Estado e a gestão cultural

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 27/09/2011 Colunista: Carlos Pinto

“A natureza dos homens

é a mesma. São seus hábitos

que os mantém separados.”

(Confúcio)

 

Em entrevista publicada no jornal O Estado de São Paulo, edição do dia 8 de setembro, o Secretário de Estado da Cultura, Andréa Matarazzo procurou dissipar algumas polêmicas sobre sua gestão à frente da referida pasta.

Discorreu sobre as acusações que lhe fazem sobre ingerências em OSs – Organizações Sociais, e sobre vários outros itens entre os quais: Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Museu da Imagem e do Som, Complexo Cultural da Luz, Escola Tom Jobim, Escola de Teatro, a nova sede do MAC – Museu de Arte Contemporânea, e Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Entre todos estes assuntos abordados, apenas um diz respeito ao interior paulista: o Festival de Inverno de Campos do Jordão, criado por Luiz Arrobas Martins por influência do grande maestro Eleazar de Carvalho, que é um dos eventos mais importantes do calendário cultural brasileiro. Parece-me que Sua Excelência desconhece a produção cultural dos demais municípios paulistas, pois sequer faz parte de sua interessante entrevista.

Ainda recentemente, quando os produtores da Tarrafa Literária, evento nascido e realizado em Santos,  solicitaram apenas um ofício de apoio ao referido evento, para efeito de procedimento de captação de recursos junto à SABESP, esse mísero ofício foi negado. Posteriormente, com a articulação política realizada, tornou-se possível a elaboração do referido ofício.

Quando da realização de um encontro itinerante do Governo do Estado, em Santos, todos os Secretários de Estado se reuniram com seus congêneres dos municípios da região, para debater necessidades e soluções. Apenas o setor de cultura ficou órfão da presença do Secretário Estadual do setor. O que se observa nas últimas décadas, é que a visão, o olhar dos gestores do Estado, não alcança além das divisas do município de São Paulo.

No entanto, é sempre bom relembrar que o interior paulista tem o maior colégio eleitoral do país. Que o interior de São Paulo concorre com mais impostos para o erário estadual, que a capital. Simplesmente o que defendemos, é que a recíproca se torne verdadeira. Há vários anos o Estado não se preocupa com a construção de teatros no interior paulista, da forma como se agia nos anos sessenta e setenta. Os produtores de espetáculos profissionais, por certo agradeceriam quando realizam suas turnês pelo interior, o fato de existirem mais teatros em mais cidades deste Estado, que na verdade se apresenta como a locomotiva econômica do Brasil.

No próximo dia 6 de outubro os integrantes do Fórum dos Dirigentes Municipais de Cultura estarão realizando mais um encontro em Serra Negra. Seria uma ótima oportunidade para que o Secretário Andrea Matarazzo se fizesse presente, para debater conosco os problemas e soluções da área cultural no interior paulista. Tomar conhecimento das dificuldades e peculiaridades de cada município ou região. Seria bom para o Estado e para os municípios paulistas, estes sim, a locomotiva de São Paulo.