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Festes: a merecida homenagem a Soffredini

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 10/10/2011 Colunista: Carlos Pinto

“A grandeza não consiste

em receber honras,

mas em merecê-las.”

(Aristóteles)

 

Em sua sexta edição iniciada neste último final de semana, o Festival de Teatro de Estudantes de Santos presta merecida homenagem a Carlos Alberto Soffredini. Nascido em Santos em 1939, Soffredini desde os tempos de estudante sempre se destacou por suas atuações na área de artes cênicas. Foi um dos baluartes do TEFFI – Teatro Escola da Faculdade de Filosofia, grupo que, além dele, projetou figuras de destaque no cenário teatral brasileiro, como é o caso de Jandira Martini, Jonas Melo, Neide Veneziano, Eliana Rocha e Ney Latorraca, entre outros.

Era um criador nato reconhecido pelo critica e pelos colegas de profissão. Além de diretor excepcional, destacou-se como dramaturgo com várias obras de qualidade, entre as quais “O caso dessa tal de Mafalda, que deu muito o que falar e que acabou como acabou, num dia de Carnaval”, que lhe deu o premio nacional de dramaturgia, em concurso realizado pelo Serviço Nacional de Teatro em 1967. Sua obra e sua história estão muito bem disponibilizadas no salão montado no foyer do Teatro Municipal Brás Cubas, num belo trabalho realizado por Nivio Mota e sua equipe.

Soffredini teve ainda uma fase pouco conhecida do público, que foram suas criações de rádio novelas, num total de cinco, uma das quais, “Bruno”, autobiográfica, foi reproduzida com atores e atrizes do teatro santista e será apresentada ao público hoje e amanhã (dias 10 e 11), como parte da programação do FESTES. Esta montagem só foi possível graças a Renata e Simone, filhas do homenageado, que disponibilizaram para o Museu da Imagem e do Som de Santos, os textos originais dessas rádio novelas.

A montagem de “Bruno” tem a direção de André Leahum e Nivio Mota, e o elenco conta com a participação de Silvio Roupa, contemporâneo de Soffredini no teatro santista, alem de Miriam Vieira, Marcio de Souza, Maria Tornatore, Kátia Baliano, Junior Brassalotti, entre outros. O FESTES tem ainda, o salão de artes dos alunos de várias escolas de ensino médio e fundamental, para quem é dirigido o evento. E o público pode apreciar a arte desses estudantes através dos desenhos de mangá, de criações espaciais e montagens cenográficas baseadas na obra de Soffredini.

O que se lamenta é que boa parte da imprensa, apesar do material de divulgação enviado, optou por ignorar o evento. Num país onde todos falam em qualidade de educação, que a criança é o futuro da nação, e outras definições que só existem da boca para fora, no momento em que se pode colocar em prática um estimulo a estudantes, simplesmente preferem outros caminhos.

Os caminhos mais fáceis da critica pela critica, da desqualificação por mesquinhez de propósitos, sempre apoiados na máxima do não vi e não gostei. É pena. Acredito que os nossos estudantes merecem, no mínimo, respeito.