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A apatia da classe cultural

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 20/11/2011 Colunista: Carlos Pinto

 

“Um povo que não ama
e não preserva as suas formas
de expressão mais autênticas,
jamais será um povo livre.”
(Plínio Marcos)
 
Muito embora a imprensa tenha dado divulgação ao corte no orçamento do Ministério da Cultura para 2012, não consegui vislumbrar em qualquer canto deste país, um sinal de revolta ou mesmo de perplexidade. Afinal de contas, a cultura vinha de sucessivas conquistas no orçamento da união, que proporcionaram durante o governo de Lula, o planejamento e execução de pesquisas e levantamentos da real situação do setor em todo o território nacional.
 
Quando se pensava que após estes levantamentos, o Governo Federal ia partir para um programa de revitalização do setor, notadamente na criação de bibliotecas, teatros e cinemas nos municípios onde não existem elaboração de projetos para salvar da morte lenta em que se encontram os grupos de folclore, nossa raiz cultural, ocorrem os cortes orçamentários.
 
E ninguém grita, ninguém esperneia, e como cordeirinhos se encaminham para a tosquia. Parece-me que nem o governo e tampouco a classe cultural deste país, tem conhecimento do que representa a indústria cultural na economia nacional. Quantos postos de trabalho serão ceifados, quando espetáculos serão adiados para o dia de São Nunca, em função da falta de sensibilidade governamental para com a classe cultural. Deveriam ficar atentos ao que as pesquisas do IBGE determinam sobre essa indústria cultural.
 
Um país onde uma prefeita resolve transformar a obra inacabada de um teatro, em um hospital, alguma coisa está fora dos trilhos. Após dezenas de anos em construção, esta obra esteve ou está envolvida em densas nuvens sem transparência, onde pessoas foram acusadas de desviar recursos da obra, sem que ninguém fosse até hoje criminalizado por tais atos.
 
E não se viu qualquer reclamação dos artistas de Cubatão ou da Baixada Santista sobre esta determinação. Engoliram a promessa vã de que outro será construído em outro lugar, em data não determinada, talvez por obra e graça do Espírito Santo. Cubatão possui uma bela Banda Sinfônica, o Coral Zanzalá, que está entre os melhores do Estado além dos grupos de teatro da cidade que anualmente produzem vários espetáculos. Isto para citar alguns dos grupos artísticos da cidade, que alentavam esperanças de um dia, poderem ter um teatro de verdade onde pudessem desfrutar de condições adequadas às suas produções.
 
Pelo visto, foram sonhos de uma noite de verão.
 
Diferente de outras cidades, onde prefeitos comprometidos com a ação cultural, restauram e reconstroem históricos teatros, como é o caso de Santos. Em Presidente Prudente uma velha fábrica das Indústrias Matarazzo, foi transformada em moderno centro cultural, com sala de teatro, espaços para exposições, biblioteca e outros adereços culturais.
 
Em Franca, alem de restaurar o Teatro Municipal, o Prefeito Sidnei Rocha construiu outra sala para a instalação de um teatro de bolso, alem de ceder uma área para o SESC construir sua sede social onde a cidade ganhará um novo teatro. Em São Carlos, o velho Teatro Alberico Perdigão construído no final dos anos sessenta, foi totalmente restaurado recentemente. E assim inúmeras cidades por este imenso país, governadas por prefeitos sensíveis ao processo de produção cultural, estão investindo nessa área. Cubatão resolveu desistir da marcha pelo futuro e engatou a marcha à ré.