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Histórias e “causos” deste mundão

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/12/2011 Colunista: Carlos Pinto

 “O homem de bem,

exige tudo de si próprio.

O homem medíocre,

espera tudo dos outros.”

(provérbio zen)

 

Venho recebendo solicitações de amigos para que escreva comentários, ou mesmo um livro, sobre tudo que vi, ouvi e assisti nestas minhas andanças por este mundão de país. Viagens de trabalho, de estudo, viagens para salvar a própria pele, enfim, andanças que me permitiram conhecer boa parte deste Brasil e alguns países do exterior.

Em cada cidade por onde passei recolhi estórias, “causos” e fatos do cotidiano. Quando você participa de comícios eleitorais, sempre ouve “pérolas” das mais interessantes. Assim foi no norte e nordeste, mas principalmente no interior paulista, em cidades como Franca, Rio Preto, Presidente Prudente, São Carlos, ou na pequenina Ibaté, onde certa vez em um comício, um candidato a prefeito prometeu “aparalelipeidar” toda a cidade. Na verdade ele se referia a um plano de calçar todas as vias públicas com paralelepípedos.

Mas a minha Santos também tem estórias, lendas e “causos” saborosos. Tem o cidadão comum que manda e-mails para a Prefeitura, solicitando que se façam testes com os fogos que serão utilizados na passagem de ano. Tem o outro que queria colocar um tapete vermelho na entrada no Teatro Municipal, para receber a minha amiga Cacilda Becker. Não se ateve ao fato de que ela já havia falecido há mais de dez anos.

Mas as que mais me agradam são as “estórias” sobre desvios de conduta, e entre elas tem uma que no anedotário popular recebeu o nome de “Hora da Chupeta”. Santos é uma cidade criativa, pois aqui nasceu o surf, o tamboréu, e agora, de acordo com meu amigo Batan, é a cidade que criou a caipirinha. Mas também, em termos de desvios de conduta, foi onde se criaram “os juros sobre a propina”. E tudo em “famiglia”.

Tem as estórias do Toninho Navalhada, Nêgo Orlando, e tantos outros que fizeram a história da noite santista, de quem fui amigo, e que proporcionaram ao Plínio Marcos, tantas crônicas e comentários. Para muitos, estes personagens não passavam de meros marginais, o que contesto. Marginais são aqueles que se apoderam de cargos públicos, ou de entidades de caráter assistencial, apenas para se locupletaram, pouco se importando com a sociedade em geral. Que montam currais eleitorais em órgãos públicos, visando chegar a outros cargos onde a “colheita” possa ser mais volumosa.

E será contra esses marginais de gravata, que pretendo realmente colocar na praça um material que desvende esse véu de vestal que usam como fantasia, no dia a dia. Que passam por cima da ética como se tal atitude fora normal, desqualificando com atos e palavras quem sempre manteve uma conduta de correção em toda a vida pública exercida.

Mas a totalidade da culpa não recai apenas sobre eles, mas sim, em quem os nomeia, que lhes dá guarida e agasalho para que possam continuar exercendo cargos onde possam cometer todo tipo de desatinos e arbitrariedades. Será uma guerra santa.