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Vandalismo e tolerância

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 09/01/2012 Colunista: Carlos Pinto

 “Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim, a negligência

do camponês.”

(provérbio zen)


O vandalismo nada mais é que uma forma de desrespeito aos bens e à história que pertencem a uma coletividade. Ultimamente esse vandalismo vem acompanhado de uma tolerância, que caso não sejam adotadas medidas coercitivas exemplares, vai se alastrar de forma incontrolável. Os fatos ocorridos junto ao monumento que homenageia Candido Gaffrée e Eduardo Guinle, pioneiros na construção do porto de Santos, são simplesmente lamentáveis.

Mas não se trata de episódio único. Recentemente o monumento em homenagem a Bartolomeu de Gusmão na Praça Rui Barbosa, também sofreu os efeitos desses marginais que atuam na madrugada. Nem bem esse monumento foi restaurado e já sofreu nova ação desses vândalos.

Na Praça da República o monumento que homenageia o fundador da cidade, Brás Cubas, também sofreu com a ação predadora desses marginais, e teve que ser restaurado em boa parte. E assim sucessivamente por toda a cidade, notadamente na orla da praia, onde esses marcos que reproduzem a gratidão da sociedade santista ao muito que esses personagens fizeram por Santos, são atacados e destruídos por assaltantes em busca do bronze para ser revendido em ferros velhos e estabelecimentos do gênero. Possivelmente, o dinheiro auferido é utilizado na compra de drogas e similares.

Não cabe à Secretaria de Cultura erradicar essa marginalia, pois seus funcionários não tem poder de polícia. Quem tem esse poder deve investigar os estabelecimentos que compram esse material, autuá-los na forma de lei, e na seqüência os órgãos competentes devem cassar o alvará de funcionamento desses estabelecimentos. Durante o governo do Prefeito Oswaldo Justo tais medidas foram adotadas, e colocado um freio nesse vandalismo desenfreado. Nem os cemitérios resistem à ação desses predadores, que com certeza sabem quem compra o material furtado.

Há que se colocar um paradeiro nessa tolerância. Da mesma forma com os moradores de rua que são despejados na entrada da cidade ou na área do mercado municipal, “vindos” de outros municípios. Na continuidade dessa tolerância total, por certo em breve tempo a cidade vai ter que dispor de um orçamento substancioso, apenas para atender os efeitos desse vandalismo que assola todo o município.

As ações que estão sendo desenvolvidas na Capital contra usuários de drogas e traficantes, notadamente na chamada cracolandia, devem ser efetivadas em nossa região. Os comerciantes que adquirem esse material roubado dos monumentos, por certo são agentes facilitadores do tráfico de drogas, e como tal, devem ser acionados pelos órgãos de segurança pública e, posteriormente, pelo poder judiciário.

Está mais que na hora de se implantar a tolerância zero, para fatos dessa natureza, ou que envolvam a segurança de uma cidade. Passar a mão na cabeça desses marginais, com a estória de que são vitimas de injustiças sociais, não vai solucionar problema algum. Pelo contrário: vai concorrer para agravá-los.