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PASCHOAL: sua aldeia, seu sonho, seu aniversário

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/01/2011 Colunista: Carlos Pinto

 

PASCHOAL: sua aldeia, seu sonho, seu aniversário
 
 
“Não toma as tormentas como castigos.
Pensa que os ventos fortes fazem
com que as raízes se tornem
mais profundas e mais firmes.”
(DA)
 
 Em 1965, ao receber em doação de seu amigo João Pinheiro Neto uma histórica fazenda do século XIX, situada no município de Paty do Alferes, onde havia ocorrido a revolta de Manuel Congo, Paschoal Carlos Magno resolveu transformar esse lugar na Aldeia de Arcozelo.
 
Um lugar onde sonhou implantar uma Universidade das Artes para estudantes de teatro, música, dança, e outras atividades artísticas, que não dispunham de condições financeiras para arcar com tais estudos. Um retiro para artistas e intelectuais.
 
Nesse projeto dilapidou toda sua fortuna, inclusive seu casarão da família em Santa Tereza, que teve que ser vendido para saldar dívidas. Suas obras de arte, onde se incluíam trabalhos de Di Cavalcanti, Picasso, Portinari e tantos outros, foram leiloados para a obtenção de recursos para a concretização do sonho louco que era a Aldeia de Arcozelo. 
 
Filho de imigrantes italianos seguiu a carreira diplomática, sendo dela afastado pelo golpe militar de 1964. Nascido em 13 de janeiro de 1906, portanto há 105 anos, faleceu em 24 de maio de 1980.
Em 1937, inaugurou a Casa do Estudante do Brasil através de uma coleta de fundos que realizou no Rio de Janeiro; mas anteriormente, em 1930, já havia sido premiado pela Academia Brasileira de Letras por sua peça “Pierrot”.
 
Através de sua montagem de “Hamlet”, revela para o Brasil o talento de Sérgio Cardoso. Em 1952, inaugura em sua casa, em Santa Tereza, o Teatro Duse. Ali surgiram outros talentosos artistas do nosso Teatro, entre os quais Cacilda Becker, que saiu de Santos levada por Miroel Silveira.
 
Ao assumir a Presidência da República, Juscelino Kubitschek o transforma em seu Ministro sem pasta, para cuidar exclusivamente dos assuntos culturais de seu governo.
Estava criada a figura do agitador cultural oficial que, dentro desse espírito, tratou de disseminar a produção cultura por todo o país, procurando novos talentos em todos os rincões do Brasil.
 
Nessa época, resolve realizar o primeiro Festival Nacional de Teatro de Estudantes, o que concretiza na cidade do Recife, onde conseguiu reunir oitocentos estudantes de todo o País.
Além deste, realizou outras seis edições do Festival, sendo que a segunda ocorreu em 1959, na cidade de Santos, onde contou com a colaboração de Patricia Galvão.
Neste segundo Festival revelou para o País os talentos de Plínio Marcos, Amir Haddad, José Celso Martinez Correia, Etty Frazer, Fernando Peixoto, Renato Borghi, entre outros.
 
Envolveu-se na luta pela construção de teatros em várias cidades, entre as quais, São Carlos e Santos.
 
Sua última criação foi a Barca da Cultura, em 1974, que desceu o Rio São Francisco levando dezenas de artistas que se apresentavam nos povoados ao longo desse rio.
 
No entanto seu grande sonho, a Aldeia de Arcozelo, hoje pertencente à Funarte, órgão do Ministério da Cultura, continua aguardando que a sensibilidade governamental desperte e transforme esse sonho na realidade que todos nós, homens e mulheres da Cultura que tanto desejamos.
 
Seria a mais justa das homenagens que poderia ser prestada a Paschoal Carlos Magno, seguramente o maior agitador cultural que o Brasil conheceu.
Quando surgirá outro?