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Medicina hoje

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/02/2012 Colunista: Dr. Mário da Costa Cardoso Filho

 Já assisti por diversas vezes, presente ao lado de meus pacientes agônicos, a melhora inexplicável de inúmeros deles, antecedendo ao momento final, ao seu último suspiro, dando lhes uma sobrevida necessária para esperar alguém especial que vai ainda chegar, para um derradeiro encontro.

Fico com a nítida impressão, quase certeza que é um sobrenatural esforço do paciente terminal para um último ato de amor, para a despedida de pessoas muito amadas.

São pacientes muito graves, para os quais nossa ação como médicos não é mais terapêutica, nem em busca da cura ou de dar melhor qualidade de vida par os pacientes. É uma ação de conforto quando temos mais uma vez a oportunidade de exercer nossa profissão no seu valor mais nobre que é o de amar ao próximo, de respeitar o paciente terminal e lutar por sua dignidade.

Procuro exaltar na Medicina algo que, como um Clínico Geral das antigas, percebo rarefazer-se nos tempos atuais, o poder do carinho, da atenção e do sentimento são parceiros essenciais à medicina antiga ou à atual.

O avanço da tecnologia com todas as suas complexas grafias, ou os medicamentos de ultima geração são importantes, mas não mais que o amor, a dedicação e o respeito ao paciente.

Não se trata um ataque cardíaco com reza, mas a fé sem a menor dúvida é importante, pois sem ela, sem a crença e o acreditar no medico, o paciente não cumpre a receita. O equilíbrio é fundamental, no meio termo, na dosagem correta dos fatores é que está a verdade.

A Medicina é uma ciência hoje com uma veloz evolução tecnológica que se traduz em um vasto arsenal de tecnologia de ponta a disposição do médico para apoio e esclarecimento de diagnóstico, com medicamentos atualizados, frutos de pesquisas recentes e com um alto poder de resolução terapêutica para tratamento das doenças, mas não se equilibrará sem a terceira força do tripé – a humanização. O carinho e o respeito são elementos da humanização e só através dela, o médico ao lado do paciente e de sua família, poderá lhe dar o conforto e a dignidade quando não há mais chance de sobrevida.