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De Cachoeiras e trairagens

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/04/2012 Colunista: Carlos Pinto

“As pessoas que falam muito,

mentem sempre, porque

acabam esgotando seu estoque

de verdades.”

(Millôr Fernandes)

A política nacional continua a mesma. É uma verdadeira cachoeira de maracutaias, que em época de eleições rendem CPIs que nunca dão em nada. E o brasileiro, eterno crente e sonhador de que as coisas vão mudar, continua sendo vazado em seus interesses voltados para uma educação de qualidade, uma saúde de primeira linha, e uma prestação de serviços por parte dos governantes, que raramente ocorre. Tem trampolinagem em tudo, seja em obras públicas, merenda escolar, construções escolares e até em antenas parabólicas.

Enquanto um segmento da nossa sociedade clama pela construção de habitações populares de qualidade, parte do dinheiro público escorre pelo ralo da corrupção. Nunca ninguém é punido, a famosa conta das Ilhas Cayman desapareceu do noticiário, como em breve vai desaparecer esse escândalo que envolve essa figura, Carlinhos Cachoeira. E assim caminha a sociedade brasileira, escorchada pela derrama dos impostos, notadamente o de renda, que pune a classe trabalhadora do país.

Mas além dessa corrupção desenfreada, que a imprensa nacional não cansa de denunciar, temos ainda as trairagens. Essa vem de espertos cidadãos que criticam a corrupção, mas quando podem fazem também suas lambanças. São aqueles que procuram órgãos públicos com seus projetos atrás de patrocínio, e quando os conseguem, creditam suas promoções a políticos carreiristas, cuja única ação foi formatar um projeto declarando aquele item com o Dia do Chororo, ou do Festival de Jazereira, ou coisa do tipo. A grana para concretização dos projetos referentes a essa data são sempre oriundos das prefeituras, quase sempre esquecidas por esses construtores de projetos, quando se trata de divulgá-los e de dar crédito a quem está pagando as contas.

Entre as cachoeiras da corrupção e as trairagens dessas organizações de eventos, há uma curta distância, que é a falta de ética.  Eu fico imaginando o que essas pessoas não fariam, se tivessem a caneta na mão. É o mesmo que usufruir durante anos de cargos em governos, e na hora da eleição bandear a procura de novos ares, na esperança de conseguir outras benesses. Mas é a cultura de setores da nossa sociedade, que não mudam nunca seus hábitos perversos, desde que seus interesses estejam saciados.

Quanto ao povo, a quem cabe mudar esse estado de coisas através de sua arma que é o voto, acaba sempre lesado por acreditar em promessas de túneis, de pontes, de escolas, de uma saúde de qualidade, entre outros quesitos. Mas é esse mesmo povo que tem a responsabilidade de mudar esse quadro nacional de corrupção e trairagens. É votar com qualidade, em políticos que nunca se deixaram enfeitiçar por inaugurações de hidromassagens, ou coisas fúteis desse quilate.