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Como a homofobia atinge todos: uma fundamentação teórica

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 01/06/2012 Colunista: Alexandre Martins Joca
*Prof. Dr. Warren J. Blumenfeld

homofobia: significa aversão a homossexualidade

1. A homofobia encerra todas as pessoas dentro de papéis sociais rígidos com base no gênero e inibe a criatividade e expressão pessoal e individual.

2. Um contexto homofóbico põe em questão a integridade dos heterossexuais ao pressioná-los para tratar os outros mal, ação contrária à sua humanidade intrínseca.

3. A homofobia inibe as capacidades de cada um para criar relações próximas ou intimas com membros do mesmo sexo.

4. Geralmente, a homofobia restringe a comunicação com uma porção significativa da população e, mais especificamente, limita relações familiares.

5. Uma sociedade homofóbica, para além de impedir o desenvolvimento autêntico da identidade própria de algumas lésbicas, gays, bissexuais e transgeneros (LGBTs), coloca também sobre eles uma grande pressão para se casarem, situação que gera, tanto em si próprios, como nos seus cônjuges heterossexuais e filhos, estresse e, por vezes, traumas.

6. A homofobia é uma das causas para a iniciação sexual prematura, aumentando assim o risco de gravidez na adolescência e da propagação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Jovens de todas as identidades sexuais são frequentemente pressionados para se tornarem heterossexualmente ativos, para provar a si próprios e aos outros que são "normais".

7. A homofobia combinada com a sexofobia (medo e repulsa em relação ao sexo) resulta na eliminação de qualquer discussão sobre a vida e a sexualidade das pessoas LGBT como parte integrante da Educação Sexual nas escolas, impedindo os estudantes de terem acesso a informação vital. Esta falta de informação pode matar pessoas nestes tempos.

8. A homofobia pode ser usada para estigmatizar, silenciar e atingir pessoas que sejam vistas como ou definidas pelos outros como gay, lésbica ou bissexual, mas que são na realidade heterossexuais.

9. A homofobia impede os heterossexuais de receberem os benefícios e contribuições que os LGBTs têm para oferecer: ideias teóricas, perspectivas, opções sociais e espirituais, contribuições na arte e na cultura, na religião, na vida familiar, em suma, em todas as áreas da sociedade.

10. A homofobia (juntamente com o racismo, o sexismo, o classismo, a sexofobia, etc) inibe uma resposta governamental e social unida e eficaz à AIDS.

11. A homofobia consome e desvia energias que poderiam ser usada para esforços mais construtivos.

12. A homofobia inibe a apreciação e aceitação de outros tipos de diversidade, tornando o ambiente inseguro para todos, já que todas as pessoas têm características únicas que não são consideradas mainstream ou dominantes. Por isso, todos ficamos diminuídos quando qualquer um de nós é discriminado.

Conceitos de homofobia e Heterossexismo

Homofobia - A homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual.

Heterossexismo - O termo "heterossexismo" não é familiar para muitos porque é relativamente recente. Só há pouco tempo é que tem sido utilizado, juntamente com "sexismo" e "racismo", para nomear uma opressão paralela, que suprime os direitos das lésbicas, gays e bissexuais. Heterossexismo descreve uma atitude mental que primeiro categoriza para depois injustamente etiquetar como inferior todo um conjunto de cidadãos.

Numa sociedade heterossexista, a heterossexualidade é tida como normal e todas as pessoas são consideradas heterossexuais, salvo prova em contrário. A heterossexualidade é tida como "natural", quer em termos de estar próxima do comportamento animal, quer em termos de ser algo inato, instintivo e que não necessita de ser ensinado ou aprendido.

Quando seres humanos dizem que algo é "natural", em oposição a um comportamento "adquirido" através de um processo de aprendizagem, geralmente querem dizer que não é possível desafiá-lo nem mudá-lo e que seria até mesmo perigoso tentar fazê-lo. No passado, dominava a ideia de que os homens eram "naturalmente" melhores nas ciências e no desporto e líderes natos, mas as mulheres tiveram a oportunidade de desafiar estas ideias e de mostrar o homem e a mulher numa perspectiva completamente diferente.

Este desafio foi facilmente perpetuado assim que se começou a evidenciar que os homens são empurrados para posições de vantagem por uma sociedade que está estruturada para os beneficiar, um processo (a opressão das mulheres) mais tarde denominado de sexismo. Do mesmo modo, tem-se tornado evidente que a heterossexualidade, tal como a dita superioridade masculina, é tão natural, como adquirida. O fato de a maioria dos homens e mulheres a escolherem como a sua forma preferida de sexualidade tem por vezes mais a ver com persuasão, coerção e a ameaça de ostracização do que com a sua superioridade como forma de sexualidade.

O heterossexismo está institucionalizado nas nossas leis, orgãos de comunicação social, religiões e línguas. Tentativas de impôr a heterossexualidade como superior ou como única forma de sexualidade são uma violação dos direitos humanos, tal como o racismo e o sexismo, e devem ser desafiadas com igual determinação.


*Dr. Warren J. Blumenfeld é professor de Currículo e Instrução da Iowa State University (Universidade Estadual de Iowa de Ciências e Tecnologia) em Ames/Iowa (EUA)