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Incoerências ideológicas

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 10/09/2012 Colunista: Carlos Pinto

“Abra a janela

e deixa entrar o ar puro

e o sol da manhã.”

(Antonio Bivar)

Eleição tem vários lados positivos, um dos quais, oportunidades para as pessoas reafirmarem, ou não, suas tendências e posições ideológicas. Esta não foge à regra, e estamos visualizando pessoas que parecem ter refugado posturas anteriores. Há dois anos, quando das eleições para governador e câmaras legislativas, determinado cidadão veio nos cobrar se iríamos trabalhar para determinado candidato a deputado estadual. Ou seja, veio nos cobrar coerência ideológica.

Como mantivemos a postura de sempre, sem pertencer a partido que aluga seu espaço mediante troca de favores, o tempo passou. Hoje vejo com espanto, o referido cobrador, pedindo votos para aquele que há dois anos, era qualificado por ele como filhote da ditadura. O que será que mudou ou motivou tamanha mudança ideológica? Uma simples promessa para ocupar cargo numa possível futura administração municipal? Se for, Bakhunin tinha razão sobre as questões que envolvem a alma humana.

O que se observa nesta campanha, seja em que cidade for, é a ausência de propostas concretas para as áreas da cultura e dos esportes. Candidatos se ocupam dos espaços que a legislação eleitoral lhes garante, para falar unicamente de saúde e de educação. E normalmente tecer críticas e sugestões sobre aquilo que desconhecem, Outros resolvem a coisa mais praticamente pela mentira, ou seja, tomar para sí a execução de obras que não lhes pertence.

A maioria não tem propostas definidas e atiram para todos os lados, tentando iludir o eleitor com promessas vãs, que sabem jamais conseguirão realizar. Uma coisa sabemos:  se o candidato mente num debate, o que não fará se sentar na cadeira que almeja? A maioria trata o eleitor como massa de manobra, sem cérebro, o que é perigoso. O povo brasileiro anda cheio de falsas promessas, falsos brilhantes e da incoerência ideológica de alguns.

Entendo que eleição é também a hora do pecador pagar seus pecados. É o chamado purgatório, que falsos cristãos terão que enfrentar, queiram ou não. Não dá para posar de bom moço, se a ficha não é tão limpa assim. Tem candidato que foi exonerado a bem do serviço público, e agora pretende ludibriar o eleitor se apresentando para ser votado. E acha que ninguém sabe, que suas peripécias do passado não serão revistas.

Será que se esqueceu da própria estória? Tem gente que não esquece. Outros apresentam declaração de bens, com preços subfaturados para os riquíssimos imóveis que possuem e acham que isso vai passar batido. E ainda se apresentam como candidatos dos pobres. Coisa mais ridícula.

A maioria do eleitorado não tem acesso a determinadas informações, nem condições de procurá-las. Mas os funcionários do purgatório eleitoral estão de posse delas.