Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Um repasse sobre o teatro de Sorocaba

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 01/10/2012 Colunista: Carlos Pinto

 “O segredo da criatividade

está em dormir bem e abrir

a mente às possibilidades

infinitas.

O que é um homem sem sonhos?”

(Albert Einstein)

 

Ultimamente várias publicações sobre as artes cênicas praticadas no interior paulista vêm sendo produzidas. Recentemente ocorreu o lançamento do livro de Névio Dias, onde relata os quase 150 anos da produção teatral de São Carlos. Já tivemos uma edição de autoria de Carmelinda Guimarães, sobre o teatro produzido em Santos. Agora tivemos o lançamento do livro de Angeles Paredes Toral, que traça um histórico do teatro sorocabano, centrado da figura do ator Osnival Buffalo, irmão de outro destacado membro do teatro de Sorocaba, Antonio Homéro Buffalo.

A reunião de todas essas obras e de outras que com certeza virão, alem de tantas que desconheço, formarão real panorama do teatro paulista produzido em nosso interior, a grande forja de atores, atrizes, diretores, dramaturgos, figurinistas e cenógrafos, que participaram ativamente da construção do teatro brasileiro. Notadamente no período dos anos 50 até os anos 80, através do trabalho das Federações de Teatro Amador, nosso interior fervilhava de produções teatrais que tinham o apoio de uma política cultural do Estado, que hoje inexiste.

A obra de Angeles Toral preenche mais um vazio na busca desse histórico das artes cênicas de nosso Estado. Através da historia teatral de Osnival, realiza um levantamento do teatro sorocabano, onde pontuaram figuras de destaque como Adilson Barros, Paulo Betti, Eliane Giardini, Ademar Guerra, Afonso Gentil, Elvira Gentil, Pedro Salomão José, Roberto Gil, Osório de Moraes, Roberto Mantovani e uma dupla de artistas e produtores: Guscia e Werner Rothschild. Este último, um dos grandes presidentes da história da FETABAS – Federação de Teatro Amador da Baixa Sorocabana. Isto para citar alguns dos artistas sorocabanos que conheci.

O teatro do interior paulista produziu grandes expoentes da cena brasileira, através do trabalho desenvolvido pelas Federações de Teatro Amador. Em São Carlos surgiu Marcelo Picchi. De São José do Rio Preto vieram Ewerton Castro, José Roberto Arduin, Malú Rocha, Carlos Gardin, José Eduardo Vendramini e o grande cenógrafo José Carlos Serroni. Regina Duarte, embora nascida em Franca, surgiu para o teatro em Campinas. De Barretos veio Luiz Carlos Arutin, e em Bauru surgiram Carol Castro e Edson Celulari. Presidente Prudente compareceu com um dramaturgo de categoria que era Timochenko Whebi, assim como Botucatu nos presenteou com Alcides Nogueira Pinto, outro grande autor teatral.

A cidade de Santos produziu vários expoentes do teatro brasileiro, assim como revelou Cacilda Becker, nascida em Pirassununga, e Serafim Gonzalez, nascido em Sertãozinho. Ney Latorraca, Jandira Martini, Neide Veneziano, Margarida Rey, Clovis Bueno, Jonas Melo e Plínio Marcos, naturais de Santos, surgiram no teatro amador da cidade. E assim como as cidades aqui mencionadas, várias outras produziram grandes artistas teatrais, entre elas, São João da Boa Vista, Santo André, São Bernardo, Ribeirão Preto, para citar algumas.

A obra de Angeles Paredes Toral, “Deu Búfalo no Teatro Sorocabano”, lança mais uma luz nesse imenso túnel, que é a contribuição do interior paulista para o teatro brasileiro. É pena que os órgãos governamentais do setor, notadamente a Secretaria de Estado da Cultura, tenham deletado seus programas e tudo mais que se relacionava com as artes cênicas do interior paulista. É pena que das várias Federações de Teatro que existiam, poucas resistiram com apoios municipais. É pena que a cultura seja tão discriminada pelos governos. Parabéns à autora Angeles Paredes Toral, por adentrar um campo de estudos tão produtivo, e parabéns à Família Búfalo por sua contribuição à cultura brasileira.