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Achincalhando a cidade com ajuda da Beatriz

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 07/10/2012 Colunista: Carlos Pinto

“Cada um de nós visita a

Terra involuntariamente,

sem ser convidado. Para mim

é suficiente perguntar-me

por seus segredos.”

(Albert Einstein)

 

Observando os programas eleitorais e os debates que se realizam na corrida eleitoral para a Prefeitura de Santos, é imperioso que se analise a postura de alguns dos candidatos. Dá a nítida impressão que já estão de olhos voltados para 2014, e que o atual prefeito João Paulo Papa é que precisa ser aviltado e derrotado por antecipação. Penso às vezes, que alguns deles sequer residem na cidade, pois o desconhecimento do que vem sendo realizado, e a forma como Santos vem sendo analisada em relação ao seu futuro, por comentaristas isentos, como é o caso de Joelmir Betting, nunca chegou ao conhecimento deles.

Tudo para eles está um caos. Da saúde até a cultura nada se aproveita. E o que é pior, as promessas são de tamanha monta, que para realizar tudo vai ser preciso importar o orçamento do Governo Federal, e não sei se vai dar para atender a tudo que estão projetando. Um vai fazer chover dinheiro, outro quer que os portugueses votem nele, outro vai reformar uma obra que se quer está pronta, enfim: virou uma zorra total.

No meio dessa densa confusão, dona Beatriz Segall vem a Santos com seu espetáculo caça níqueis, e resolve mandar seu coadjuvante descer o cacete nos camarins do teatro. E mais: pedir à plateia que escolha bem seu novo prefeito. Como é tucana de carteirinha, amiga pessoal dos principais caciques dessa legenda, veio fazer a sua parte. Ocorre que na primeira apresentação do espetáculo, dona Beatriz Segall tossiu durante todo ele. Acusar os camarins de impróprios e sujos foi a sua saída pouco ética. Só que nas apresentações do dia seguinte, com novas plateias e os camarins da mesma forma, ninguém falou mais nada. Talvez tenha sido advertida por seu produtor local, que ele havia aprovado os camarins, que estava tudo limpo e que nós havíamos fotografado tudo antes deles chegarem.

A cada ano que passa a política nacional envereda por tortuosos caminhos, onde a corrupção e os desmandos se avolumam, a ideologia é apagada do mapa, tudo isto na volúpia de ocupar este ou aquele cargo em uma possível vitória de seu candidato. Tem gente aí que até esqueceu o passado, pois elogia hoje, pessoas a quem chamava nos idos dos anos 80, de agente da ditadura, e há dois anos, chamava seu candidato de hoje, como filhote da ditadura. Fome de mamar nas tetas da viúva? Quem será que mudou? A queda do muro de Berlim? Vai saber!

Como dizia Brecht, “vivemos tempos sombrios, onde falar de coisas inocentes é quase um delito, e implica em silenciar sobre tantos horrores.” É pena que seja assim. A classe política parece que não aprendeu nada durante os anos de chumbo, e anda louca para rever o filme. Silenciar é o que venho fazendo sobre muita coisa, inclusive sobre o Circo Marinho. Mas vai chegar a hora de colocar os pratos na mesa.