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Perdas sem substituição

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/12/2012 Colunista: Carlos Pinto

 “Seus filhos não são seus filhos.

São os filhos e as filhas

dos desejos que a vida

tem de si mesma.”

(Gibran Kahlil Gibran)

Costuma-se dizer que existem perdas irreparáveis. Ao longo dos anos passei a compreender que existem perdas sem substituição. Esta semana que passou ocorreram três dessas perdas. Duas na área de comunicação e outra na área política e sindical. Na comunicação, mais especificamente no jornalismo, perdemos dois excelentes profissionais, que honraram a classe dos jornalistas: Joelmir Betting e Carlos Klein.   Não conheci Joelmir pessoalmente, mas o ouvia diariamente, todas as manhãs, pela Rádio Bandeirantes, com seus precisos comentários sobre política e economia. Carlos Klein conheci ainda nos tempos em que Geraldo Ferraz era o editor chefe do jornal A Tribuna. Compunha com Geraldo e Juarez Bahia, um trio de grandes profissionais, cuja ética, lisura e composição de texto, eram exemplo para os que se iniciavam na profissão.

Se o gênio de Geraldo Ferraz era explosivo, havia a compensação através da calma com que Juarez e Klein conduziam a redação e os colegas de trabalho. Fui amigo de Geraldo e Klein, e de Juarez fui aluno no curso de jornalismo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos. Com a morte de Carlos Klein, desaparece o último remanescente deste trio de grandes profissionais da imprensa, que honraram a imprensa santista e brasileira. Parodiando Shakespeare, em sua obra “Julio Cesar” durante o discurso de Marco Antonio nos funerais de Cesar: eram três grandes jornalistas. Quando aparecerão outros?

Completando este quadro de perdas, deixou nosso convívio o ex-deputado Marcelo Gato. O conheci ainda aluno da Casa Amarela, nossa Faculdade de Direito, participando do TAAG – Teatro Acadêmico Alexandre de Gusmão. Este grupo teatral que no passado representou Santos no III Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado em Porto Alegre, com o espetáculo “O incêndio de Roma.” O texto é a única obra para teatro adulto do dramaturgo Oscar Von Pfhull, e teve a direção de Plínio Marcos.

Gato era funcionário da COSIPA, e foi durante anos o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos e região. Durante esse período abriu as portas do anfiteatro da entidade para a realização de espetáculos teatrais e musicais. Eleito Deputado Federal pelo MDB, teve seu mandato cassado em 1976 pelo regime de exceção que estava instalado no país desde 1964. Foi um grande lutador pelas liberdades democráticas e um excelente sindicalista. Um sindicalista que se encaixa na parodia shakespeariana que mencionei antes sobre os jornalistas falecidos.

O país fica mais pobre sem esses grandes profissionais da imprensa, e também pelo grande político e sindicalista que nos deixou. São perdas sem substituição.