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Os setenta e cinco anos do Teatro de Estudantes do Brasil

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 02/01/2013 Colunista: Carlos Pinto

“O trabalho de Paschoal abriu caminhos,

serviu de exemplo, frutificou.”

(Carlos Pinto)

 

Boa parte dos críticos e intelectuais dedicados ao estudo das artes cênicas brasileiras concordam que a partir do aparecimento do grupo Os Comediantes, no Rio de Janeiro, tivemos o começo do bom teatro contemporâneo no país. Muitos outros reivindicam para si tal primazia, mas pelo alcance, pela repercussão alcançada, pela continuidade de trabalho, Os Comediantes são de fato os detentores desse privilégio histórico. Sua montagem de “O Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, com direção de Ziembinski, são o atestado maior dessa primazia.

Porém, e sempre tem um, como dizia Plínio Marcos, o precursor na tentativa de disciplinar a montagem teatral é do Teatro de Estudantes do Brasil, fundado por Paschoal Carlos Magno, em 1938. Quando retorna ao Brasil em 1937, após alguns anos de permanência na Inglaterra, Paschoal vinha aperfeiçoado em seus conhecimentos sobre as artes cênicas, em especial a arte dramática, com total compreensão da valia que representava para o desenvolvimento e fortalecimento dessa arte, a formação de grupos teatrais estudantis e universitários.

Nessa época o teatro brasileiro encontrava-se em situação precária, e só havia encontrado alguma consideração popular através dos trabalhos de Álvaro Moreyra e Renato Viana, mas permanecia em completo marasmo, quase agonizante. Paschoal trazia na cabeça a consciência de que nenhum movimento político, literário ou artístico havia triunfado entre nós, sem o apoio da juventude, principalmente dos estudantes.

E para conquistar esta reintegração do teatro brasileiro ao seu destino, bateu à porta das universidades e falou com os universitários. Seu apelo encontrou eco e o teatro universitário de imediato obteve uma ressonância nacional. Foi através dos teatros de estudantes que se impôs a presença de um “diretor”, como responsável pela unidade cênica do espetáculo. E com o Teatro do Estudante deu-se fim ao “ponto”, valorizou-se a contribuição da cenografia e do figurino, trabalhados sob orientação do diretor.