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Promessas de uma tarde de verão

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 07/01/2013 Colunista: Carlos Pinto

“As pessoas devem novamente

aprender a trabalhar, em vez

de viver por conta pública.”

(Marcus Tullius – Roma-55 a. C.)

  

Este novo ano se inicia com as famosas declarações dos recém-empossados em Prefeituras, Secretarias, Câmaras Municipais e demais órgãos que constituem a chamada administração pública. Fato normal, não fossem as falsas promessas, que no fim se traduzem em desastres ambientais como o recente ocorrido no Distrito de Xerém, na Baixada Fluminense. São catástrofes anunciadas pela falta de educação ambiental da maioria da população, aliadas aos descompromissos dos governantes que por causa do voto, se omitem de adotar medidas duras, mas necessárias para a preservação de vidas humanas.

Há um descompromisso declarado com o povo, em favor de uma demagogia barata, insana e omissa, que levam municípios a situações pouco confortáveis, como é o caso que ocorre em nossa vizinha São Vicente, e também em outras cidades brasileiras. Prometem tudo durante as campanhas, reforçam tais promessas em seus pronunciamentos de posse, e depois, parece que lavam seus cérebros com omo total: esquecem tudo.

Ao ouvir declarações de moradores de Xerém e outros bairros de Duque de Caxias, você percebe a necessidade de que se coloquem ao alcance das populações, ensinamentos básicos sobre educação ambiental. Enquanto alguns “ecléticos educacionais” se preocupam com a volta do ensino do latim e outras babaquices maiores, esquecem que o mundo mudou, e que o sistema educacional brasileiro não acompanhou tais mudanças. Hoje é irreversível que a educação ambiental seja matéria obrigatória a partir do ensino fundamental, assim como matérias voltadas para a educação esportiva e cultural.

Não será um simples ou moderno paisagismo, que mudará a qualidade do que se promove ou se realiza em um Centro Cultural. Não será uma oratória onde se procuram colocar posturas como se nada existisse antes da nossa chegada, que mudarão os rumos da história. O que muda essa rota é o trabalho, é o compromisso com causas afetas ao povo, é a vontade de colocar mais um tijolo na construção que outros iniciaram. É assim que o mundo gira. Todos aqueles que tentaram contrariar os rumos da história, acabaram quebrando a cara. Exemplos temos muitos: Átila, Hitler, Napoleão, Bin Laden, e etc. etc. etc.

Há que se ter consciência de que o mundo já existia antes de nós, e que temos que respeitar o muito ou o pouco que outros construíram antes de nós. Gosto muito de um poema de Bertolt Brecht, intitulado “Aos que vierem depois de nós”. Nele, e qualquer leigo em literatura tem por obrigação conhecê-lo, Brecht explicita com muita clareza: “Vós, que surgireis da maré em que nos afogamos, lembrai-vos também, quando falardes de nossas fraquezas, lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudeste escapar.”

Hoje tudo é festa, mas o amanhã será sempre incerto. Com certeza muitos guardarão as promessas de hoje, para a cobrança do amanhã. Vou nessa porque vou visitar o Orquidário, e rever os pavões maravilhosos que lá existem. Não sei porque, entendo que muitos humanos tem as características destas aves, cuja plumagem é deslumbrante mas seu canto e seus pés, nada tem a ver com essa plumagem tão bonita. A natureza é sábia.