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O lixo cultural de nossa mídia

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 13/01/2013 Colunista: Carlos Pinto

“Se não nos deixais sonhar,

não os deixaremos dormir.”

(Eduardo Galeano)

 

O Brasil continua vivendo e convivendo com a máxima do “pão e circo”. Eu te dou um circo cheio de promessas e falas macias, e de quebra ainda levas uma cesta básica recheada de noticias chapa branca, e uma série de programas no melhor estilo mundo cão. A nossa TV tem uma qualidade duvidosa, e exercita da melhor maneira possível, a produção de um lixo cultural do mais baixo nível. A maioria dos telejornais se exime de noticias que possam trazer algum alento à população, e só registram crimes, desgraças, acidentes, muitos dos quais demonstram a falta de cuidado dos governantes, para com seus compatriotas.

E a temporada de besteiróis televisivos acaba de receber mais um reforço, com a nova edição do Big Bosta Brasil. Já tínhamos a tal de fazenda, e outros circos onde o ser humano é exposto de formas as mais ridículas, em troca de ganhar algum dinheiro e uma “fama” de quinze minutos. E se alguém se der ao trabalho de um exame mais acurado nos participantes desses chamados “reality shows”, vai descobrir que o numero de neurônios de cada um, somados todos os participantes, não chega ao numero que qualquer cidadão de bom senso e certo grau de conhecimento e cultura, possui. Estão a fim de subir na vida sem fazer força.

Na mídia escrita por vezes a bajulação e o puxa-saquismo são de arrepiar. O dito profissional deixa de lado a tal de isenção, e parte para uma adulação como se também estivesse atrás de um salame. Opinar sobre qualquer assunto precisa antes de tudo, estar muito bem informado sobre ele, familiarizado com o dia a dia, para não escorregar na maionese. Caso contrário, passa para o leitor uma informação não correta, e joga na lata de lixo da redação, a sua credibilidade. A função de jornalista tem características semelhantes a do investigador de polícia. Se não tiver fontes seguras, jamais pega o criminoso e pode apagar as pistas que levem ao desvendar do assunto.

Quando você decide seguir carreira profissional em qualquer das formas de mídia, você tem que assumir o compromisso e as regras da profissão, cujo precursor foi o jornalista e dramaturgo gaúcho conhecido por Qorpo Santo. Este cidadão é o verdadeiro autor do decálogo da profissão, e na verdade, o primeiro autor teatral a escrever um texto de teatro do absurdo, quase vinte anos antes do francês Alfred Jarry. Tecer loas sobre este ou aquele cidadão, seja autoridade ou não, nem sempre é de bom tom, e acaba revelando um comprometimento acima da isenção necessária. Na melhor das hipóteses, pode acabar no chamado teatro do besteirol.