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Nova tragédia anunciada

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/01/2013 Colunista: Carlos Pinto

“Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim, a negligência do

camponês.”

(provérbio zen)

 

O lamentável acidente ocorrido na boate “Kiss”, de Santa Maria – RS, é mais um alerta para as responsabilidades que os administradores municipais têm, mas que invariavelmente descuram. Alem de estar funcionando com o alvará vencido, essa casa noturna não tinha, segundo os relatos que chegam do sul, saídas de emergência e outras medidas de segurança necessárias em tais casas comerciais.

E para agravar mais a tragédia, consta que os seguranças da casa, na hora que se iniciou o tumulto em função do inicio do incêndio, bloquearam a saída tentando cobrar as contas dos clientes. Resultado: até agora contabilizados 236 mortos, fora os quase 50 que estão em hospitais. E o pior. A imensa maioria eram jovens na faixa de 16 a 24 anos. Nem bem desabrochavam para a vida, e já as perderam numa arapuca que jamais poderia ter alvará de funcionamento.

Trata-se da segunda maior tragédia ocorrida no país, superada pelo incêndio ocorrido no Circo Sarrazani, em Niterói, onde aproximadamente 500 pessoas morreram carbonizadas. Tanto neste acidente, quanto nos ocorridos nos edifícios Joelma e Andraus, na Capital paulista, não tenho ciência se alguém foi indiciado ou condenado pelas centenas de vidas perdidas, entre as quais de alguns santistas.

E o que permite a ocorrência destas tragédias anunciadas, é na verdade a impunidade. A maldita impunidade que persiste no país, que gera a continuidade da irresponsabilidade, seja de administradores públicos ou da iniciativa privada. Enquanto as leis não tiverem sua adequação aos tempos modernos, e se tornarem mais rígidas e a justiça menos morosa, talvez as coisas mudem neste país. É certo que agora, em várias cidades, as autoridades vão prometer maior vigilância, fiscalização mais rigorosa, para daqui a poucos meses, quando a memória for acionada por outro assunto, tudo volte ao esquecimento e à rotina de antigamente.

Da mesma forma como ocorreu no show dos Raimundos no antigo ginásio do Clube de Regatas Santista. Tem alguém pagando pela morte dos oito jovens? Existem várias arapucas espalhadas pelo país, como essa boate de Santa Maria. O que urge neste momento, é que todas que estejam fora da lei sejam imediatamente fechadas, e seus proprietários responsabilizados e obrigados a executar as obras necessárias, principalmente as relacionadas com a segurança dos frequentadores. Fora disso, em breve teremos outra e mais outras tragédias do mesmo naipe.

No momento só nos resta prestar solidariedade às famílias das vitimas, que estavam procurando diversão, sem saber que na verdade, estavam marcando definitivamente seus destinos. É lamentável.