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De pavões, egos e vaidades

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 17/03/2013 Colunista: Carlos Pinto

 

“Nada perturba tanto ao homem,

do que seguir pelo caminho que

o conduz a si mesmo.”

Hermann Hesse

 

 

O ser humano é realmente um espécime animal muito interessante. Com seus erros, seus acertos, suas características individuais, quase nunca coletivas, suas índoles cheias de nuances, enfim, portador de farto material para psicólogos, psiquiatras, e demais profissionais dessas áreas. Não é meu caso. Sou um mero observador desse comportamento humano, notadamente das pessoas com quem lido no dia a dia.

 

É interessante perceber suas mudanças de caráter, de postura, de ética profissional, quando se trata de defender interesses próprios, por vezes mesquinhos, em detrimento do interesse social e coletivo. Fala mais alto o ego e a vaidade, e em nome deles cometem insanidades, desrespeitam colegas de trabalho, passam por cima da hierarquia e da disciplina de trabalho e procuram destruir o que outros antes dele, edificaram. Em nome desse ego são capazes até de cometer um dos mais irritantes atos do ser humano: a delação.

 

E o que mais me intriga, é que acham que nunca vão ser pilhados nesse tipo de atividade, como se a verdade não se portasse como o azeite, quando você tenta misturá-lo com a água. Pode ir ao fundo, mas sempre retorna à superfície. O egoísta e o vaidoso, ou o que “privilegiadamente” possui esses dois “atributos”, no fundo, se acha um Deus. Só ele sabe, só ele faz, só ele constrói, só ele foi ungido pelos céus.

 

Isto posto, nesta minha divagação, só tenho uma conclusão. Que o mundo seria bem melhor se tais pessoas se reciclassem, e passassem a olhar as demais como companheiros de viagem nesta nossa passagem pelo planeta Terra. Tornaria tudo mais fácil e menos doloroso, porque no fundo, creio eu, tais pessoas portadoras dos vírus em questão, não tem a mínima chance de encontrar a felicidade.

 

Para Hesse (Hermann Hesse), nossa única realidade é aquela que temos dentro de nós. E mais, se os homens vivem tão fora dessa realidade, é porque aceitam como tal, as imagens exteriores, enquanto sufocam em si, a voz do seu mundo interior. Ou seja: os egocêntricos e vaidosos, pavões de carteirinha, poderão enganar uns poucos por um tempo, mas jamais enganarão a todos, por todo o tempo. Podemos ser felizes dessa maneira?