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Cultura Paulista - A contribuição do teatro amador

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 20/03/2013 Colunista: Carlos Pinto

Após a revolução de março de 1964, por contingências do regime então instalado, tive que abdicar da minha participação no movimento sindical, e migrar para o movimento cultural, setor que já vinha desenvolvendo tanto no Sindicato dos Petroleiros, quanto no Clube 2004, que congregava os funcionários da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão.

 Fui levado ao movimento de teatro amador pelo amigo Greghi Filho, também funcionário da refinaria, e colaborei na fundação da Federação Santista de Teatro Amador, em reunião realizada na sede do Clube XV. Ali aprovamos os estatutos da entidade e elegemos a diretoria presidida pelo médico e dramaturgo Oscar von Phful. Fui eleito para a tesouraria nesta primeira diretoria, e na eleição seguinte, eleito presidente da entidade, cargo que ocupei por longos quinze anos.

 A partir daí comecei a conhecer e manter contato com outros dirigentes do movimento em todo o Estado. A ideia e estrutura das Federações de Teatro Amador, partiram de João Rios, um velho militante do teatro infantil da Capital, que como membro da Comissão Estadual de Teatro, assessorava o então Presidente da CET – Comissão Estadual de Teatro, Nagib Elchmer.

 João Rios se baseou na Federação Paulistana de Amadores Teatrais, sediada na Capital, que teve entre seus Presidentes e diretores, figuras do porte de Décio de Almeida Prado, Coelho Neto, Osmar Rodrigues Cruz e o nosso saudoso e sempre lembrado companheiro, Hamilton Saraiva.

 Quem governava São Paulo à época, era o Ademar de Barros, pessoa de proa no processo revolucionário, a quem Nagib era intimamente ligado. O principio básico da montagem dessa estrutura federativa, me parecia eleitoral, apesar de João Rios ser um amante do teatro, como poucos encontrei,  nessa jornada.

De pronto iniciei o processo de estruturação de uma entidade que congregasse todas as Federações do Estado. A ideia era sair das asas do paternalismo estatal e reivindicar melhores condições para o desenvolvimento do processo cultural no interior paulista.

 Nesta jornada contei com o apoio incondicional do amigo e camarada Hamilton Figueiredo Saraiva, então membro da CET, a quem se deve a formatação da Comissão Estadual de Teatro e de uma dezena de legislações em favor da cultura, notadamente do teatro paulista, com ênfase maior para o teatro amador. Formamos uma dupla em que um batia e o outro assoprava.

 Durante a realização do V Festival Estadual de Teatro Amador, realizado em 1967, na cidade de Presidente Prudente, conseguimos formatar a fundação da COTAESP – Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo, ao lado dos companheiros Hamilton Saraiva, Ângelo Bonicelli, Humberto Sinibaldi Neto, Hamilton de Lima Neto, Nevio Dias, José Expedito Marques, Otavio Morales Moreno, Celina Alves Neves, Antônio Sandoval, José Cirino Goulart, Orlando Dompieri, Jaime Zeiger, Antonino Assumpção, Paschoalino Assumpção, Hélio Bergamasco, Luiz Mauricio Sandoval, Osório Theodoro Moraes, Pedro Valentim Fernandes, Nelson Freire Campello, Álvaro Azevedo Marques e tantos outros cuja memória já não retém seus nomes por inteiro.

 Em novembro desse mesmo ano, mais precisamente em 05 de novembro, a COTAESP já estava fundada, legalizada enquanto entidade congregadora de todas as Federações de Teatro Amador do Estado, com sua diretoria provisória constituída  bem como seu conselho deliberativo formalizado, onde todas as Federações estavam representadas.

 A Assembleia de fundação foi realizada na sede da Comissão Estadual de Teatro, e a data escolhida propositalmente para coincidir com o Dia Universal do Amador de Teatro. A diretoria provisória foi formada por Nevio Dias, na presidência, e Carlos Pinto e Hamilton Saraiva, para a área administrativa.

 Iniciava-se então, uma nova etapa para o movimento federativo de teatro amador no Estado, cujas nuances serão narradas em próximos comentários.