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Cultura Paulista - A contribuição do teatro amador II

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 04/04/2013 Colunista: Carlos Pinto

Em 28 de janeiro de 1968, na sede da Associação dos Integrantes da Guarda Civil de São Paulo, situada à Rua Helvetia, 555, na Capital, foi realizada nova Assembleia do Conselho Superior da COTAESP, para eleição da diretoria executiva e conselho fiscal.

Na oportunidade fui eleito para a presidência da entidade, tendo como vice o companheiro Luiz Mauricio Sandoval, de Presidente Prudente; para a secretaria geral foi eleito Hamilton Figueiredo Saraiva, da Capital, e para a tesouraria Paschoalino Assumpção, de São Bernardo do Campo. Nevio Dias, de São Carlos, ocupou a diretoria cultural, e Osório Theodoro Moraes, de Sorocaba, a diretoria de patrimônio. Para a diretoria jurídica foi eleito Cerjio Mantovani, de Rio Claro, e para a diretoria social, Humberto Sinibaldi Neto, de São José do Rio Preto. Paulo Sergio Fabrício Ribeiro, de Ribeirão Preto, ficou com a diretoria de propaganda.

Para a presidência do Conselho Superior, a assembléia elegeu Octavio Morales Moreno, de Botucatu, e para a secretaria do órgão, foi eleito Ângelo Bonicelli, de São Carlos. Para o Conselho Fiscal, como efetivos, foram eleitos Nelson Campelo, do Vale do Paraíba, Celina Lourdes Alves Neves, de Bauru, e Ladislau Vitachi, da Capital. Como suplentes ficaram Cyrino Goulart, de Franca, Roberto Yamato e Oswaldo Mendes Filho, de Marilia.

Uma das primeiras etapas da COTAESP foi oficializar o Congresso e o Festival Estadual de Teatro Amador, com verbas disponibilizadas no orçamento do Estado. No Congresso discutiam-se teses visando o aprimoramento dos festivais, a realização de cursos teatrais, distribuição de livros técnicos e textos teatrais. Enfim, discutia-se a formação técnica e profissional dos praticantes do teatro amador nas várias regiões do Estado.

As questões aprovadas nos congressos, realizados anualmente, eram a bíblia de conduta da diretoria da COTAESP. Os festivais, também realizados anualmente, cumpriam três etapas. As eliminatórias realizadas em cada cidade sede de Federação, onde participavam todos os grupos que se inscreviam. As Federações tinham caráter regional, e abrangiam várias cidades de sua região administrativa. A segunda etapa constituída das semifinais realizadas em cinco cidades sedes federativas, reuniam os grupos selecionados nas eliminatórias.

Dessas semifinais saiam os dez grupos que iam à fase final do Festival. Em todas as fases eram utilizadas comissões julgadoras, na maioria das vezes formadas por alunos da Escola de Comunicações e Artes da USP, da Escola de Arte Dramática da USP e por profissionais de teatro. Posteriormente, em função da qualidade de vários espetáculos que acabavam ficando de fora da fase final, foi aprovado em um Congresso, o aumento de participação desses grupos na fase final. De dez selecionados, passamos a quinze.

Outra etapa concluída pela COTAESP junto ao Governo Estado, foi a concessão de bolsas de estudos para os amadores premiados individualmente na fase final dos festivais. Inicialmente essas bolsas, cujos valores também estavam disponibilizados no orçamento do Estado, eram destinadas à Escola de Arte Dramática da USP. Posteriormente, após muita luta, conseguimos que o Estado disponibilizasse as bolsas, para todo e qualquer curso que os amadores premiados quisessem seguir.

Com isso, vários companheiros cursaram arquitetura, medicina, engenharia, administração de empresas, direito, alem dos cursos relacionados com a arte teatral. Centenas de amadores se valeram dessas bolsas pra continuar seus estudos superiores, entre os quais podemos citar José Roberto Arduin, Lenimar Rios, Walter Rodrigues, Wilson dos Santos, José Carlos Serroni, Luiz Carlos Arutin, entre muitos.

Com relação aos festivais, criamos o prêmio financeiro para os três espetáculos melhor colocados na fase final, que se constituía em valiosa ajuda para a próxima montagem desse grupo. O crescimento do movimento federativo era tão visível, que em 1972, a revista Realidade, efetuou uma pesquisa onde constatou a participação de quase dez mil militantes no movimento federativo.

A partir de determinado momento, passamos a incluir as programações paralelas aos festivais, com a participação de grupos musicais, teatro infantil nas praças públicas, salões de artes plásticas, entre outras atividades artísticas. Enquanto isso, setores ligados ao teatro profissional, começaram a contestar junto à CET, as verbas destinadas ao teatro amador.

Esqueceram-se que nós, em nossas cidades, formávamos platéias para quando eles visitavam essas cidades. Esqueceram-se que um dos programas por nós desenvolvidos no interior paulista, era o da construção de teatros municipais, com a finalidade de desenvolver programações culturais de todas as áreas. Esqueceram-se que muitos profissionais eram contratados por Federações ou grupos amadores, para ministrar aulas ou dirigir espetáculos. Tal movimento não vingou, em função da força política já então adquirida pelo movimento federativo.

Em próximo comentário vamos enumerar outros feitos do teatro amador, e sua contribuição ao processo de construção da cultura paulista.