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Cultura Paulista - A contribuição do teatro amador - III

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 04/04/2013 Colunista: Carlos Pinto

Um dos programas mais importantes desenvolvidos através da atuação dos amadores paulistas foi o da construção de teatros em cidades do interior. Iniciado durante o Governo Ademar de Barros e idealizado por Nagib Elchmer e João Rios, infelizmente foi paralisado após o Governo Paulo Egydio. No entanto, enquanto durou, propiciou a construção de teatros nas cidades de São Carlos, Franca, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Batatais, Sertãozinho, Ituverava, alem de um teatro ao ar livre em Bauru.

Ainda durante o Governo Paulo Egydio, se conseguiram verbas para terminar o Centro de Cultura Patrícia Galvão, em Santos. Junto ao antigo Serviço Nacional de Teatro, conseguimos verbas para a finalização do Teatro Municipal de Franca, e também, para o Centro de Cultura Patrícia Galvão. Lamentavelmente, este projeto foi abandonado pelo Governo do Estado em meados dos anos setenta, e após a redemocratização do país, a cultura do interior paulista foi sendo paulatinamente abandonada.

Essa construção de casas de espetáculos em nossas cidades abriu campo de trabalho para o teatro profissional, que passou a ter locais de qualidade técnica, para apresentar suas produções da Capital. Com isso, as Federações passaram a trabalhar também com os profissionais, empresando essas produções em suas cidades, o que se transformou em outro ponto de contribuição à cultura paulista.

A realização de cursos de capacitação técnica para amadores propiciou a melhora da qualidade de atuação desses elencos, que passaram a adquirir conhecimentos e a produzir espetáculos de alta qualidade. Com isso, revelaram-se novos quadros para o teatro profissional paulista e brasileiro, não apenas no que se trata de atores e atrizes, mas também, nas áreas de cenografia, iluminação, sonoplastia, direção e demais setores que envolvem uma produção teatral.

Entre esses amadores que seguiram carreira profissional, podemos destacar Ewerton de Castro, Carlos Alberto Soffredini, José Carlos Serroni, José Roberto Arduin, Ulisses Cruz, Regina Duarte, Marcelo Picchi, Luiz Carlos Arutin, Edson Celulari, Malu Pessin, Adilson Barros, Paulo Betti, Ney Latorraca, Alexandre Borges, Sergio Mamberti, Plínio Marcos, Ângela Rodrigues, Luiz Antonio Martinez Correa, Eliane Giardini, Eliana Rocha, Lizete Negreiros, Cleide Eunice, Jonas Melo, Jandira Martini, José Eduardo Vendramini, entre vários outros que até hoje estão trabalhando na TV, no teatro, ou lecionando em universidades. Somem-se a estes, vários outros amadores que, convidados a integrar grupos profissionais da Capital, decidiram continuar como amadores, até em função de suas carreiras profissionais em outros setores.

O teatro amador paulista produziu também uma série de autores teatrais que se destacaram no cenário das artes cênicas do país. São os casos de Oscar von Phful, Plínio Marcos, Alcides Nogueira Pinto, Carlos Alberto Soffredini, Greghi Filho, Timochenco Whebi, Evencio da Quinta, apenas para exemplificar alguns. José Carlos Serroni é considerado hoje, como um dos melhores cenógrafos do teatro brasileiro. Temos que ressaltar também, as contribuições de Cacilda Becker, Décio de Almeida Prado, Renata Pallotini, Afonso Gentil, Roberto Lage, Anatol Rosenfeld, Sabato Magaldi, Yolanda Amadei, Jacques Lagoa, Emilio Di Biasi, Carlos Meceni, Fernando Muralha, entre outros. Através de suas participações quase que diárias junto aos amadores paulistas, quer seja através de cursos, palestras e até direções de espetáculos, propiciaram um aprendizado de novas técnicas e elevaram a qualidade artística dos espetáculos produzidos.

Devemos um preito de gratidão eterna, a uma humilde funcionária da Comissão Estadual de Teatro: Agnese Cossi, secretária da CET, era incansável na sua luta de nos ajudar a percorrer os caminhos da burocracia governamental. Sempre nos alertando, nos comunicando, nos orientando em como cumprir essas tarefas administrativas. Sem ela, boa parte do nosso trabalho organizacional não teria chegado a lugar algum.