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O que quer o Padilha?

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 07/04/2013 Colunista: Dr. Mário da Costa Cardoso Filho

Acabamos de atingir a média nacional de 2 médicos por mil habitantes (a OMS – Organização Mundial de Saúde preconiza 1 médico por mil habitantes), média que é o resultado do registro de 2,7 médicos por mil habitantes nas regiões  sul e sudeste, ou seja, mais que o dobro do número de médicos por habitantes que existem no Norte e Nordeste.

O Brasil é o segundo país no mundo em número de Escolas de Medicina.

Mantendo-se o atual cenário, o mesmo rítmo de crescimento de faculdades de medicina e da população, estudos dos Conselhos Regionais de Medicina apontam quem em 2020, atingiremos um coeficiente de 2,41 médicos por mil habitantes.

Equivoca-se, portanto o poder central quando diz que faltam médicos no Brasil. Tenta despudoradamente automatizar a validação dos diplomas de Escolas Médicas do Exterior aqui no Brasil, esquecendo criminosamente de que no atual sistema de revalidação o nível de aprovação é muito baixo, dando mostras de uma absurda desqualificação desse pessoal que vem de fora.

Comprova isto, estudo realizado considerando os 7.284 médicos com diplomas estrangeiros que revalidaram os certificados pelas normas do MEC. Destes, 80% não têm Título de Especialista e que também tendem a se concentrar nas mesmas localidades que os médicos formados no Brasil. De acordo com levantamentos, 44% deles se estabelecem nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Concentração de profissionais é coincidente com a de hospitais especializados, sendo que 38 municípios com mais de 500 mil habitantes concentram 61,1% dos hospitais especializados e 47,91% dos médicos brasileiros.

O estudo “Demografia Médica Brasileira”, divulgado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e CFM (Conselho Federal de Medicina), em fevereiro deste ano (2013), demonstra os resultados acima relatados, e mostra ainda, que não é a cidade onde o médico se graduou ou nasceu que exerce mais atração para a fixação do profissional, exceto para aqueles que nasceram ou se formaram nas capitais, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

É claro para quem quer ver. É a qualificação da medicina que determina a concentração de médicos.

Senhor Ministro da Saúde, falta a este país, um programa de incentivo para fixar o médico no interior e este programa no estado de direito democrático não pode ser o Serviço Civil Obrigatório para médico.

Com todo o respeito “abre o olho Padilha”.