Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Cultura Paulista - A contribuição do teatro amador – IV

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 15/04/2013 Colunista: Carlos Pinto

As lideranças do movimento federativo nas várias cidades sede de Federações, assim como, os dirigentes da COTAESP (Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo), estavam imbuídos da vontade férrea de realizar. Havia em cada um de nós, o vírus da loucura de Paschoal Carlos Magno, seguramente o maior incentivador, provocador e realizador da área cultural brasileira. Espelhados nas realizações de Paschoal, quer sejam os Festivais Nacionais de Teatro de Estudantes, as Barcas da Cultura, as Caravanas de Teatro, a montagem das Casas de Estudantes, o Teatro Duse e a Aldeia de Arcozelo, queríamos transformar o interior paulista em uma grande meca da cultura.

Aliando o projeto de construção de casas de espetáculos com a realização de congressos e festivais de teatro, mais a realização de centenas de cursos anuais, apoiados em farta literatura teatral distribuída, conseguimos avançar como ninguém antes havia conseguido.  Alem de conquistarmos duas cadeiras na Comissão Estadual de Teatro, ocupamos também um lugar no Conselho Estadual de Cultura, os dois órgãos que definiam a política cultural do Estado de São Paulo. Tal representação foi efetuada por Hamilton Saraiva e Carlos Pinto, e se revelou de grande valia na conquista de mais verbas, mais cursos, mais livros, para o teatro amador paulista.

A partir desse trabalho federativo, abrimos espaços para o teatro universitário e o teatro estudantil, colocando no orçamento do Estado, dotações para atendimento de grupos teatrais de estudantes universitários, bem como, para os grupos teatrais de estudantes secundaristas. Passamos a realizar mostras paralelas aos festivais estaduais de teatro, com apresentações musicais, de dança, salões de artes plásticas, enfim, somando ao nosso movimento teatral, outros setores culturais. Era normal a presença do Zimbo Trio, do Grupo Tarancon, do Raices de América, Ballet Stagium, entre outros. Revelamos artistas como o excelente fotógrafo Antonio Vargas, que até hoje realiza suas exposições em várias partes do país.

A COTAESP trabalhava em duas frentes: cuidando da burocracia, da legislação em favor do movimento e da cultura paulista, e das relações com o Estado, estava Hamilton Saraiva. Alem de tudo, cuidava de amenizar alguns atritos que a minha ansiedade terminava por produzir. Na frente de batalha, na organização estadual dos festivais, congressos e demais atribuições, alem das relações com as Prefeituras, estavam os presidentes das federações, comandados por mim. E nesse trabalho tive a inestimável colaboração de grandes companheiros: Ângelo Bonicelli, Nevio Dias, Humberto Sinibaldi, Celina Alves Neves, Hamilton de Lima Neto, Sidnei Rocha, Werner Rothschild, Antonio Homero Bufallo, Antonino Assumpção, Paschoalino Assumpção, Helio Bergamasco, Cerjio Mantovani, José Expedito Marques, e tantos outros a quem o movimento federativo deve o seu sucesso.

 Com o tempo muitos de nossos companheiros enveredaram pelo caminho político, alguns se elegendo para Câmaras Municipais, como o caso de José Roberto Mazzer, de Sertãozinho, e Sidnei Franco da Rocha, que após exercer a vereança em Franca, elegeu-se Prefeito Municipal, cargo que deixou recentemente. Dalva Christofoleti, que exerceu cargos de confiança na Prefeitura de Rio Claro, ocupa há vários anos a secretaria da Associação Paulista de Municípios. Com isso ia crescendo a força política do movimento, que tinha seus representantes na Assembléia Legislativa, como era o caso de Emilio Justo e Orestes Quércia.