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O preço da censura

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 24/04/2013 Colunista: Eraldo José dos Santos

Em 2009, quando ainda estava na Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva promoveu a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O evento tinha por objetivo traçar metas para a criação de um órgão de controle do conteúdo divulgado na mídia. Ou seja, uma espécie de censura, como foi interpretado por muitos.

O curioso é que, para um governo que pretendia controlar os órgãos de comunicação, esse mesmo governo não foi capaz de explicar um desvio de R$ 3 milhões e 600 mil reais na promoção dessa mesma conferência. O rombo nos gastos foi constatado pela Controladoria-Geral da União (CGU), que auditou as contas e deu pela falta de 28% do custo da conferência.

Mais grave ainda é que na auditoria os técnicos da Controladoria Geral da União constataram que, com base nos documentos assinados, os responsáveis pela conferência sabiam que os contratos eram irrealizáveis. Mesmo com essa percepção, o presidente da Confecom, Marcelo Bechara, que atualmente é conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou os gastos.

Causa estranheza que dentre os gastos estejam serviços de consultoria e assessoria técnica com entidades como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), no valor de R$ 1 milhão e 700 mil.

Há, ainda o gasto de R$ 1 milhão e 800 mil com a empresa F.J. Produções por serviços que não foram prestados.

O Governo Lula gastou R$ 12 milhões e 800 mil em um evento para discutir censura à imprensa e desse montante ainda deixou escorrer pelo ralo R$ 3 milhões e 600 mil. Vai ver que, como das vezes anteriores, Lula não sabia nada.