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Cultura Paulista - A contribuição do teatro amador – V

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 24/04/2013 Colunista: Carlos Pinto

Em cada município paulista onde o movimento federativo atuava, paralelamente os amadores de teatro se fortaleciam politicamente, através de uma atuação junto as Câmaras de Vereadores e os Prefeitos Municipais. Em várias cidades, por orientação da COTAESP, foram criados dispositivos legais com a finalidade de amparar o teatro amador e, por conseqüência, as artes em geral. Muitas cidades passaram a criar os Conselhos Municipais de Cultura, alem dos Departamentos dessa área.

Com a continuidade da realização dos cursos técnicos ministrados por profissionais, a qualidade técnica foi sendo aprimorada, e passamos a apresentar no Teatro Anchieta, por convite do SESC, os melhores espetáculos do Festival Estadual. Essa mostra, que não tinha caráter competitivo, era analisada por uma comissão de três membros, sempre selecionados pelo SESC, que emitiam sua opinião sobre os espetáculos, em publicação do próprio SESC. Quando se tratava de comissão composta por críticos teatrais, não raro tais críticas eram publicadas em jornais da Capital.

Vários grupos amadores faziam apresentações em outros Estados, se apresentando em Festivais ou, atendendo a convites de Prefeituras. Com o tempo o Serviço Nacional de Teatro, órgão do Ministério da Educação e Cultura, também passou a colaborar com o movimento federativo paulista, tendo em vista sua expansão, os resultados alcançados, e a seriedade como era conduzido. Prova disso foi a destinação de verbas para a construção do Teatro Municipal de Franca, e o Centro de Cultura Patrícia Galvão, em Santos.

Nessa época, o SNT era dirigido por Orlando Miranda, produtor teatral do Rio de Janeiro, cuja nomeação para o cargo tinha contado com o apoio político da COTAESP. Além das verbas acima citadas, o SNT passou também a distribuir livros técnicos e publicações teatrais, que eram distribuídas às Federações do interior paulista. E também, o SNT, passou a patrocinar uma temporada de uma semana no Rio de Janeiro, ao grupo vencedor do Festival Estadual de Teatro Amador de São Paulo.

Funcionava também o Centro Brasileiro de Teatro, uma organização que era o braço brasileiro do Instituto Internacional de Teatro, sediado na Europa, e que no Brasil era presidido por Renata Palottini. Durante alguns anos, representando a COTAESP, exerci o cargo de Vice Presidente do Centro, cuja sede era em São Paulo, e era integrado por Décio de Almeida Prado, Sabato Magaldi, Anatol Rosenfeld, Hamilton Saraiva, entre outros. Nossas reuniões se realizavam na Escola de Comunicações e Artes da USP ou, nas dependências da Comissão Estadual de Teatro. Tinha por finalidade manter intercâmbio com outras entidades teatrais européias, asiáticas e das Américas.

Anualmente o Professor Oscar Fernandez, titular da cadeira de literatura dramática brasileira na Universidade de Yowa, vinha ao Brasil, para manter contatos com os amadores de São Paulo, e reciclar seus conhecimentos sobre novos dramaturgos brasileiros, e sobre tudo que estava acontecendo no teatro amador paulista, para ele, um exemplo de organização, trabalho e qualidade, para qualquer país do planeta. Mantivemos inúmeros contatos com ele, que divulgava o trabalho da COTAESP nos Estados Unidos, junto aos alunos da Universidade de Yowa.