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Liberou geral da insensatez

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 06/05/2013 Colunista: Eraldo José dos Santos

Ao que tudo indica vivemos realmente o Inferno de Dante, do escritor italiano Dante Aleghieri. Não em sua jornada cômica, mas acima de tudo em seus escritos para definir o inferno reservado aos pecadores e a todos aqueles que não conseguem reagir, com energia e prontidão aos constantes malfeitos.

A mais nova investida contra a sociedade brasileira parte de um suposto grupo de especialistas e ativistas que defendem a descriminalização das drogas no Brasil. Eles já anunciaram que vão entregar uma carta a presidente Dilma Rousseff, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), cobrando – atentem bem para o verbo, cobrando – a elaboração de uma nova política antidrogas que não seja baseada em medidas proibicionistas.

A iniciativa tem como alvo, também, o projeto de lei nº 7.662/2010, do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que altera a Lei Antidrogas para aumentar a pena mínima para traficantes de drogas e prevê a internação compulsória de dependentes.

Para os chamados especialistas e ativistas, o projeto é um retrocesso no debate sobre drogas no Brasil, salientando ainda que fere direitos constitucionais.

Essa posição consta do documento aprovado ontem, durante o encerramento do Congresso Internacional sobre Drogas 2013, que começou na sexta-feira última.

Integrante da Comissão Científica Organizadora do evento, o neurocientista, Sidarta Ribeiro, ressalta que o modelo proibicionista fracassou, lembrando que a internação compulsória remete à tortura, conforme declaração da Organização das Nações Unidas (ONU). “Consideramos inadmissível que o governo da presidenta Dilma, que tem um histórico de defesa dos direitos humanos, admita que isso venha a ocorrer”, avaliou

Sobre a criminalização do uso de drogas, os especialistas criticam a ausência de parâmetros que norteiem uma diferenciação objetiva entre usuários e traficantes, o que acaba levando ao maior encarceramento de usuários e à superlotação de presídios. 

Toda essa discussão acadêmica, distanciada das ruas e do flagelo enfrentado pelas famílias de dependentes de drogada só fazem aumentar a descrença de qualquer mudança que promova, efetivamente, um ataque frontal ao problema.

Insistir na valorização do crime é conspurcar contra as instituições sérias deste País, pois o maior temor de todas as famílias de bem é perder um filho para drogas. Mas, a vingar a tese desses especialistas, não teremos apenas algumas “cracolândias” pelas cidades brasileiras. Mas sim verdadeiros bairros habitados por uma legião de zumbis, aturdidos pelo efeito alucinógeno de entorpecentes, vagando do nada para lugar nenhum.

E não se diga que não há como diferenciar traficante de usuário.  Há sim. O que se pretende é a liberação geral das drogas e a valorização de falanges criminosas que prosperam com esse comércio ilegal, com a arrebatação de milhares de jovens para, num primeiro momento, entorpecê-los, fazendo-os dependentes. E depois, arregimentando-os também para o tráfico. O desfecho desse enredo todos nós conhecemos.

Os que defendem o liberou geral são os mesmos que apóiam a abertura dos manicômios para a cura dos deficientes mentais, que já fizeram estrago em Santos.