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Pedra ou vidraça? Eis a questão

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 14/05/2013 Colunista: Carlos Pinto

“O mal que os homens fazem

permanece após sua morte.

O bem, esse quase sempre é

enterrado com seus ossos.”

(William Shakespeare)

 

Ser pedra ou ser vidraça é uma questão que as pessoas têm que resolver quando assumem determinadas posturas. Ser pedra é sempre mais fácil, mas diz um provérbio zen budista que, “toda facilidade traz dificuldades e toda dificuldade traz facilidades”. Ter uma postura coerente é sempre mais difícil que escolher um creme da Natura. É uma questão de maturidade, de conhecimento fundamentado.

Quando você escreve um texto ou posta sua opinião no facebook, tem que estar atento que, do outro lado, nem todo mundo é o idiota que você pensa que seja. Não somos a sua imagem refletida em um espelho de um quarto de qualquer motel. As pessoas têm histórias de vida, muito mais vivência, algumas delas possuem sequelas deixadas pela luta contra a ditadura. Principalmente contra a censura que imperava nas redações, e contra a qual lutamos e enfrentamos detenções e prisões para permitir a tão decantada liberdade de expressão.

Adotar uma postura de censor contra este ou aquele individuo, ou contra este ou aquele grupo de cultura só porque detém uma posição de mando em um órgão de imprensa, é na realidade uma deturpação de caráter e de conduta. Os que lutam pelo mercado de trabalho no meio cultural desta cidade, têm todo o direito de fazê-lo. E devem fazê-lo por todos os meios legais que estejam disponíveis. Inclusive pelo uso da palavra.

Como escrevi antes, ser pedra é muito fácil, censurar trabalhos de poetas e escritores, omitir informações sobre a realização de eventos envolvendo artistas da cidade, dar três ou quatro linhas sobre apresentações da Orquestra Sinfônica, ou dos grupos de dança da cidade. Só que agora o que era pedra virou vidraça, e neste país todo mundo é muito religioso mas não costuma dar a outra face.

A coisa é mais ou menos na base de Talião: olho por olho, dente por dente. Coisas da globalização, uma invenção do capitalismo selvagem para nos manter algemados e atrelados a castradores da opinião pública.

Mas não queremos ser castrados e muito menos algemados por nenhum neófito, que culturalmente está a quilômetros de distância de todos nós, que não possui uma história de vida solidificada, que não é capaz de distinguir em um palco, o que é uma rotunda, uma bambolina ou uma perna. Que não sabe o que é um urdimento. Garanto que nenhum desses materiais que aqui citei, faz parte da composição de nenhum creme de beleza.

Lutar pelo que se entende como nosso direito não pode ser cerceado por ninguém, a menos que estejamos voltando aos tempos da ditadura. Se tal estiver ocorrendo, creio que as armas terão que ser outras, muito embora sempre acreditasse na força das palavras. Segundo disse um velho general no passado, “lute com a força das suas ideias porque elas têm mais força que a força dos meus canhões”.

Vou ficando por aqui, e entendendo cada vez mais, a força dos pensamentos e palavras de William Shakespeare. Por acaso você já leu alguma coisa de Shakespeare? Devia. Talvez aprenda que guardar ressentimentos é como tomar veneno esperando que o outro  morra.