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Miopia

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 14/05/2013 Colunista: Dr. Mário da Costa Cardoso Filho

O Governo Brasileiro, que já envia alimentos a nossos irmãos de outras nações do continente, pois já não mais precisa aplacar a fome de parte de nossa sofrida população, agora se preocupa com a falta de mercado para mão de obra desqualificada originada em Cuba e vai importar 6.000 profissionais desqualificados, formados numa escola de qualificação não conhecida para trabalhar em pequenos municípios ou na periferia dos maiores centros, dando ou simulando dar assistência médica a nossa população menos favorecida

Sob o melhor ângulo é uma visão míope em verdade provocada pela necessidade de atendimento a compromissos políticos e partidários do que com os reais motivos de falta e até ausência de médicos em pequenos municípios  e a consequente necessidade de atendimento médico dessas comunidades.

Os reais motivos: o sub-financiamento do SUS – Sistema Único de Saúde, o sucateamento ou até a absoluta ausência de condições de trabalho quanto a equipamentos dessas regiões e de remuneração profissional como também  a inexistência da carreira de Estado para os profissionais que trabalham nos serviços públicos de saúde, ficam relegados a meros figurantes. Inexpressivos.

Não podemos admitir, no momento que discutimos o exame para avaliarmos a capacitação dos formados em escolas brasileiras, avaliadas e autorizadas a funcionar pelo Ministério da Educação do Brasil, a admissão sem qualquer avaliação de profissionais formados em faculdades de fora do nosso País.

O instrumento para essa avaliação existe hoje e atua no País há algum tempo, é o REVALIDA – Exame Nacional De Revalidação de Diplomas Médicos expedido por faculdades estrangeiras, instituído pelo próprio governo e com sua realização apoiada nas principais universidades públicas brasileiras, e que, desde que é realizado, não conseguiu comprovar a capacitação de ao menos 10% dos candidatos, médicos vindos do exterior e que a ele se submeteram.

O REVALIDA protege a população brasileira e não pode, sob pena de ser uma ação criminosa, ser extinto.

É preciso pensar de forma ampla, clara, focada e menos míope, sem que interesses de partidos políticos ou de governo se sobreponham as questões da comunidade, questões fundamentais e reais da não distribuição de médicos pelo País como um todo.

Se não resolvermos corretamente e de forma suficiente o financiamento da saúde pública, se não dermos condições de trabalho aos profissionais da área de saúde e uma carreira digna e decente a esses profissionais, os hoje médicos importados, após severos erros sobre os nossos incautos brasileiros das pequenas e distantes localidades, logo migraram para os grandes centros urbanos e as capitais, e mesmo migrando, não terão capacitação para o exercício profissional.