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Nem a chuva afetou o brilho da Parada Gay

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 04/06/2013 Colunista: Alexandre Martins Joca

Nem a chuva afetou o brilho da Parada Gay

O tempo chuvoso não interferiu no brilho da 17ª edição da Parada Gay de São Paulo, realizada neste domingo (02/06). Protestos contra o preconceito e muita música foram a tônica do evento que contou com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito Fernando Haddad (PT) e do deputado federal Jean Wyllys (PSOL) entre outros.

Por volta das 9h, o pessoal começou a chegar na Av. Paulista, próximo ao Masp (local da concentração). Às 10h, a avenida começava a ser tomada por uma onda colorida que se estendeu até a Praça da República, no Centro. Devido a chuva, prevista para começar ao meio-dia, a parada teve início com mais de uma hora de atraso.

Política - A música tomou conta da avenida e no primeiro trio elétrico, a reunião política: com sorriso contido, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), prefeito Fernando Haddad (PT) que falou contra o preconceito, pedindo a todos, união contra toda forma de intolerância. Ele terminou o discurso com um “Viva São Paulo na luta pela liberdade". Foi aplaudido pela multidão.

Mas aplaudida mesmo, foi a ministra da Cultura e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT). Quando ela subiu no caminhão e fez um discurso sobre os direitos dos homossexuais, que devem ser iguais aos dos heterossexuais, foi ovacionada pelo público. O deputado federal Jean Willys, do PSOL, que tem marcado sua atuação na defesa do que erroneamente, o brasileiro se acostumou a chamar de minoria (toda a população LGBT), também foi muito aplaudido, reafirmando que “não somos poucos, somos muitos”

O governador Geraldo Alckmin, que normalmente aparece nos eventos com semblante “fechado”, estava mais contido ainda. Não apenas por conta do “empurra-empurra”, pouco à vontade, ele ouviu, mais uma vez o pedido interferência junto à Igreja Católica, em defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele falou pouco, não prometeu nada, lembrando que o Estado é laico. Em meio a chuva fina e ao não comprometimento à solicitação, o público foi econômico nos aplausos.

Como não poderia deixar de ser, a figura mais criticada na Parada, foi o deputado federal Marcos Feliciano (PSC-SP), guinado à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. 

O professor Cristovão Sales, de Aracaju/SE, em nome de um grupo que veio do Nordeste de “marinete" para participar da Parada disse se referindo ao deputado e pastor Feliciano: “Antes de atacar, maldizer e considerar os homossexuais como coisa ruim, e com sua fala homofóbica incentivar os fracos de espírito a se voltarem contra nós, este Feliciano precisa fazer uma exame de consciência. Por que será que ele nos odeia? Nós que lutamos pelos nossos direitos não lhe fizemos mal algum, ou será que um dos nossos, um dia o crucificou, bancou o Judas? 

Ferveção – Este ano a manifestação foi animada por vários trios elétricos, mas o mais concorrido foi, sem dúvida, o que recebeu a cantora baiana Daniela Mercury, que por duas horas, pulou, dançou, protestou, gritou fora Feliciano (deputado federal) e cantou. Cantou, principalmente o amor, ocasião em que apresentou ao grande público, sua companheira, a jornalista Malu Verçosa.

Daniela, mãe de cinco filhos e que já foi casada duas vezes com homens, disse que nunca esteve no armário, mas só recentemente assumiu sua homossexualidade. Sem qualquer pudor, parecia uma adolescente enamorada ao tascar um beijão na sua Malu, com quem disse que vai casar no cartório, logo, logo.

Apesar do exagero, afinal provocou inveja dando aquele beijaço na namorilda. Virou nossa  rainha. Êta  mulher de coragem.

Até São Pedro – Até São Pedro foi aplaudido, quando no meio da tarde, a chuva deu uma trégua. Aplaudidos também, alguns policiais, quando interferiam evitando discussões. No meio de tanta gente, não tivemos conhecimento de ocorrências graves. Soubemos que duas pessoas foram presas em flagrante pela polícia militar, uma por tentativa de furto e a outra por vestir o uniforme oficial do Corpo de Bombeiros e sem pudor, deixar claro que não pertencia à gloriosa corporação.

Coisa feia - Umas 15 pessoas foram detidas por urinar em plena avenida e umas 40 pessoas precisaram de atendimento médico por embriaguez e uso de entorpecentes. Uns sem noção vendiam na avenida, o chamado vinho químico e outros mais sem noção ainda, compravam a bebida ilegal e enchiam o “caco” envergonhando aos que foram à Parada para defender seus direitos.

Sem trégua – O final da Parada Gay teve a apresentação da cantora Ellen Oléria, lésbica assumida, que antes de encerrar o show, agradeceu os fãs e disse: "O amor venceu a guerra".

Infelizmente isso não aconteceu ainda. O antropólogo Luiz Mott, do Grupo Gay da Bahia, em entrevista na Av. Paulista, disse: “Que o colorido que a gente vê aqui na avenida, não inebrie as mentes, pois a luta pela igualdade de direitos, especialmente  com relação à nossa luta está longe de um final. É preciso muito mais que amor para garantir nossos direitos. É preciso determinação”.

Susie Q (colaboradora)