Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

A desconstrução ou, quem não tem colírio usa óculos escuros

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 09/06/2013 Colunista: Carlos Pinto

“E guardemos a certeza,

pelas próprias dificuldades

superadas, que não há mal

que sempre dure...”

(Hierophant)

 

 Existem publicações que são obrigatórias aos estudantes de artes cênicas, em especial, e aos demais produtores da área cultural. Uma delas é intitulada “Princípios fundamentais da filosofia”, de Georges Politzer, fundador da Universidade Operária de Paris. Nessa obra, notadamente em suas primeiras 90 a 100 páginas, Politzer nos brinda com uma aula sobre dialética.

Há também publicações de Stanislaswsky, Brecht, Piscator, Artaud e tantos outros encenadores e autores teatrais, que ilustram com seus conhecimentos como se elaborar a construção de um personagem.

Sempre acreditei que a classe política deveria estudar tais processos, para aprender, pelo menos na teoria, como se constroem grandes projetos e quais os caminhos a percorrer para colocá-los em prática. Mas o que ocorre com determinados cidadãos, que aceitam cargos públicos de confiança para os quais nunca se preparam, quando sentam na cadeira não sabem para que lado ficam o sul e/ou o norte. E daí, trilhar o caminho mais fácil é sempre tentar a desconstrução do trabalho realizado por seus antecessores, já que não sabem o que fazer com a missão que aceitaram.

Parece-me muito o que está ocorrendo em algumas administrações públicas que recentemente assumiram prefeituras, mais especialmente a situação que vive o espectro cultural de Santos.

Quando você resolve aceitar o cargo máximo numa estrutura oficial de cultura, o mínimo é procurar a quem você vai suceder e solicitar o máximo de informações possíveis sobre o funcionamento do órgão, que projetos estão em andamento, quais são as deficiências e etc...etc... e tal. Não foi o que ocorreu em Santos.

A máquina pública é traiçoeira, e se você não tem o mínimo conhecimento de como ela funciona, não adianta se postar como um novo Einstein. Prepotência, soberba e presunção, não cabem no meio artístico e cultural, e com tais atributos, você já está a meio caminho andado para a derrocada total.

Desconstruir o que o antecessor executou, inclusive derrubando fontes e outros atrativos de um centro cultural, não faz parte do bom senso, e apenas transparece uma vontade férrea de tentar apagar o passado.

Ocorre que o passado já faz parte da história, e todas as vezes que alguém tentar passar por cima dessa coisa chamada história, acaba pagando um preço alto. Assim foi com Átila, Napoleão e Hitler, ao tentar invadir a Rússia em pleno inverno. Todos eles tentaram passar um pano na história, que sempre avisou ser impossível atacar a Rússia nesse período, e foram destroçados pelo General Inverno.

O espectro cultural de Santos, e outros onde existem similaridades, está provando que, todos que se voltam contra essa senhora chamada história, acabam quebrando a cara.

Nada como tocar a vida, e esquecer quizilas e preconceitos. Caso contrário, não vai ter creme da Natura que consiga retirar as rugas de preocupação. Voltarei ao assunto.