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Coisa de meninos, de meninas e sexualidade

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 01/03/2011 Colunista: Alexandre Martins Joca

A Coluna “Desatando Nós” é um espaço aberto à discussão sobre a diversidade sexual. Os artigos encaminhados à Coluna por e-mail para jornal@jornalespacoaberto.com  devem ser encaminhados com cópia para espacocaberto@litoral.com.br   e alexmartinsjoca@yahoo.com.br

Coisa de meninos, de meninas e sexualidade

* Drag Conchita

Porque que a cor rosa deve ser apenas para meninas?

Quem disse que brincar de carrinho é coisa de menino?

Porque um rapaz não pode ser cabeleireiro, esteticista ou ainda uma mulher não pode ser caminhoneira, policial, lutadora de karatê?

E vejamos a mais recente reviravolta da historia a favor da mulher: uma presidente? 

Desde quando eu era pequenininha, e olha que um dia eu fui, pasmem!, uma coisa confundia muito a minha cabeçinha (e naquela época eu nem usava peruca para fundir o cérebro)

Porque existe tamanha e tão enrijecida divisão entre os gêneros, masculino e feminino?

Porque para muitos ainda é muito difícil aceitar como natural a camisa rosa do empresário, o cabelo vermelho do jornalista e, mais, a submissão, dominação e expressões da sexualidade do outro? 

Quem foi “o filha da mãe”, que por falta do que fazer, disse que eu não posso brincar de carrinho e de boneca?

Gente, isso me frustra até hoje.

Estou precisando fazer terapia para melhorar e estou sendo muito franca, meu amor.

Quem foi que disse que uma menina não pode jogar futebol e que eu nunca pude jogar vôlei ou fazer GRD (Ginástica Rítmica Desportiva) porque isso não era coisa de menino? Ou então que meninos têm que gostar de meninas, e vice e versa?

Não é de hoje que as divisões paradigmáticas de gênero estão presentes na sociedade. Mas aos poucos estes tabus insignificantes e moralistas, começam a diminuir.

Isso é um avanço libertador meu bem!

O respeito à diferença e ao outro está (a passos lentos) mostrando que há coisas bem mais relevantes do que alguém se preocupar com a cor rosa da camiseta do meu amigo ou como e com quem eu me realizo amorosa e sexualmente.

Aos poucos a sociedade vem percebendo que a dualidade feminino/masculino está sempre presente em tudo e em tod@s.

Conscientes ou não, ela atua em nós manifestando-se no modo como sentimos e reagimos a eventos que mobilizam emoções.

Ou vai me dizer que não?

Muitas vezes, o homem e a mulher, sejam eles gay, lésbica, bissexual, travesti, transexual e tantos outros integrantes da diversidade sexual e de gênero, não conseguem se libertar para realizar suas fantasias, com medo de recriminação e pré-conceitos dos parceiros.

A sexóloga e psicanalista Regina Navaro Lins, fala, e eu assino embaixo, que quase tudo o que somos é resultado de uma construção social e que estas formações psíquicas são muito diferentes em cada época.

O amor na Grécia, por exemplo, era totalmente diferente do amor na Idade Média, que era diferente do século XIX e também de hoje.

Essa história de masculino e feminino só serviu para aprisionar ambos os sexos a estereótipos.

Todos nós somos passivos e ativos, fortes e fracos, medrosos e corajosos. (pensar o amor na Grécia antiga... acho isso um luxo; eu deveria ter nascido naquela época). 

Para mim, meus queridos, as pessoas precisam se libertar destes tabus e saber que no sexo tudo é permitido, desde que os envolvidos estejam de acordo.

“Não existe regra, certo ou errado. Pela história, o sexo sempre foi um grande problema. Desde que o cristianismo, há dois mil anos, viu o sexo como algo sujo e feio. Temos que refletir sobre isso e tentar nos livrar da culpa e da ideia de que existe algo pecaminoso no sexo. Sexo é bom, faz bem à saúde física e mental. Além de fazer parte da vida. Por isso deve ser encarado como algo natural”, ensina a sexóloga Regina Navaro.

É como diz a cantora Zélia Duncan, na canção “Imorais” (composição de Christiaan Oyens e Zélia Duncan)   “... a moral da história, vai estar sempre na glória de fazermos o que nos satisfaz”.

E é verdade. Agora é só pensar, refletir e quem sabe praticar, sempre com camisinha é claro.

*Drag Conchita é Jornalista, humorista, apresentadora, ativista LGBT; foi Rainha Drag Queen Joinville 2008 e trabalha com show por todo o Brasil (dragconchita@gmail.com)