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Governo engana população

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 18/07/2013 Colunista: Eraldo José dos Santos

Lamentavelmente o Governo de São Paulo insiste em enganar a população, sobretudo na área da Segurança Pública, tentando passar a impressão de que está, efetivamente, preocupado com esta questão, mas a violência que ameaça todos os cidadãos demonstra o elevado grau de omissão de nossas autoridades.

Aproveitando-se da prisão dos sequestradores das filhas do presidente da Câmara de Vereadores de Cubatão, Wagner Moura, o Governo Alkcmin criou um espetáculo de pirotecnia na Baixada Santista, com a vinda a nossa região do Secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para anunciar a criação do Gabinete Metropolitano de Gestão Estratégica da Segurança Pública (Gamesp). O nome é tão pomposo quanto inócuo.

Os que estudam segurança pública sabem que mais importante do que métodos e organismos que se queiram criar, o fator preponderante nesta área é a sensação de que a situação está efetivamente sob controle. E voltando à questão do sequestro das jovens, o ponto positivo é de fato o desmantelamento e prisão da quadrilha; mas os danos de ordem emocional sofrido pelas vítimas serão difíceis de ser superados.

E como se afirmou acima, aproveitando-se da prisão – afinal não se esperaria outra coisa, pois desde o início já se sabia que integrantes da quadrilha eram os mesmos que há poucos meses haviam assaltado a casa da prefeita de Cubatão Marcia Rosa – criou-se todo o espetáculo para anunciar o pomposo gabinete.

Com direito ao “beija mão”, prática arraigada dos políticos da região que imaginam apenas o Grupo A Tribuna como Imprensa na região. E o que se anunciou? Um hipotético compartilhamento de dados entre as policias (civil, militar, federal e guardas municipais) e a implantação de um sistema metropolitano de monitoramento. Como se já não existisse a Rede Infoseg, criada por lei federal, para integrar não só as policias, como o Judiciário, Ministério Público, enfim todos os órgãos afetos à problemática da Segurança. Mas o Infoseg, apesar de perfeito na sua concepção, também patina porque o que prevalece ainda nas polícias são as vaidades. Não se compartilham informações. E se acontece aqui em São Paulo, onda há duas policias de âmbito estadual calcule-se isso no resto do País.

Mas o que se anunciou na verdade foi a renovação de promessa feita aqui mesmo em Santos, pelo Governo dos Tucanos, e novamente em A Tribuna, no dia 2 de maio de 1999, pelo então Secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petreluzzi. Na época, o então secretário do governador Mário Covas, em seu segundo mandato, disse que o governo iria instalar câmeras de monitoramento em toda a orla. Não colocaram nenhuma. As existentes são da Prefeitura, que pouco ajudam no combate à criminalidade, pois estão acima das copas das árvores e pouco revelam da criminalidade na própria ordem.

Só para refrescar a memória reproduzo um trecho da entrevista que fiz com Petreluzzi e que foi publicada em A Tribuna no dia 3 de maio de 1999. Quais as metas da Secretaria de Segurança Pública? “Nós pretendemos durante os próximos quatro anos diminuir os homicídios em São Paulo. A gente pretende igualmente diminuir os crimes violentos. Vamos fazer um trabalho muito forte no sentido de tentar erradicar o crack no estado de São Paulo. Vamos tentar desarticular o roubo de carga que é outra coisa importante que acontece em nosso estado. O governador coloca como prioridade a segurança em seu segundo mandato. Mesmo com as dificuldades que temos em função da crise econômica vamos investir pesadamente. A população pode ficar sossegada”. Precisa dizer mais alguma coisa.