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A primeira turma da Escola de Artes Cênicas

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/07/2013 Colunista: Carlos Pinto

“E, contudo, não há outra

realidade fora desta, a não ser

na forma momentânea que

conseguimos dar a nós mesmos,

aos outros e às coisas.”

(Luigi Pirandello)

 

Após três anos a Escola de Artes Cênicas de Santos, instalada no Teatro Guarany e sob a direção de Roberto Peres, entrega aos palcos brasileiros sua primeira turma de formandos. Foi uma longa estrada ligando a restauração do Guarany, à instalação da escola e esta primeira turma. Em uma primeira etapa, convencer o Prefeito Beto Mansur da necessidade da aquisição do que restou da primeira casa de espetáculos da cidade, após o incêndio de 1982 que a destruiu.

Vencida esta etapa, graças ao trabalho desenvolvido por João Paulo Papa, então Vice Prefeito de Santos, entramos na fase da elaboração do projeto de restauração. Através de um concurso entre vários arquitetos da Prefeitura, optou-se pelo trabalho desenvolvido por Ney Caldatto, que alem da restauração do velho teatro, trazia em seu bojo a materialização de outro sonho: espaços para a implantação da Escola de Artes Cênicas, que até então vivia em forma de curso em imóveis alugados e sem condições físicas de atender o que uma unidade deste setor requisita.

Pronta a obra e com a volta do Teatro Guarany, foi instalada a EAC e com isso surgia outra fase a superar. Quem iria dirigi-la? Optamos pelo jornalista e critico teatral Roberto Peres, cujas experiências na direção de espetáculos de teatro e dança, o credenciavam a concretizar o que se pretendia com a escola. Elaborada a grade de matérias e efetuada a primeira seleção, foi dada a partida, que hoje, finaliza com sua primeira turma de formandos. São vinte e dois jovens prontos para encarar esta nobre profissão.

É certo que nesta caminhada alguns obstáculos tiveram que ser ultrapassados, desencontros superados, alguns que ficaram pelo caminho, nada que não faça parte do cotidiano de cada um de nós. O que vale e o que conta, é que esta primeira turma de formandos da Escola de Artes Cênicas de Santos está se apresentando com dois espetáculos de Luigi Pirandello, dramaturgo italiano inserido na história da cultura teatral. Com “Seis personagens à procura de um autor” e “Assim é se lhe parece”, os formando da EAC se lançam no mercado. Como lembra Roberto Peres, Pirandello é um autor que estava afastado dos palcos santista há algumas décadas, e agora ressurge para premiar estes vinte e dois formandos, a quem parabenizamos.

Vale lembrar também, que a Escola leva o nome de um grande diretor teatral santista, Wilson Geraldo, formado pela Escola de Arte Dramática da USP, e detentor de alguns prêmios Governador do Estado como diretor. Para estes formandos está vencida a primeira etapa de suas vidas profissionais, desafio esse que venceram com méritos. Resta agora conquistarem sua DRT no Sindicato dos Atores, sem ligar muito para os percalços iniciais produzidos por um diretor dessa entidade, que só sabe olhar para o próprio umbigo. Parabéns a todos e os votos de que tenham brilhantes carreiras no teatro brasileiro.