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MENOS MÉDICOS

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 20/08/2013 Colunista: Dr. Mário da Costa Cardoso Filho

Chamou-me a atenção no hospital em que atuo, que meia dúzia de profissionais se demitiram de seus plantões na emergência para aderirem ao “Programa Mais Médicos” do Governo Federal.

Busquei saber para qual rincão deste país teriam ido e para minha surpresa verifiquei que todos, sem exceção, migrarão para a capital de algum de nossos estados.

Com a curiosidade aguçada fui pesquisar e eis que descobri em analise feita pelo Instituo Teotônio Vilela que o Programa do Governo Federal conseguiu em sua primeira seleção apenas 10,5 % de seu objetivo. Dos almejados 15.460 médicos, unicamente 1.618 profissionais chegaram ao final do processo conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Que destes profissionais, 522 são os “médicos” que virão do exterior importados, mas nem todos estrangeiros, pois 30 por cento deles são brasileiros que se formaram em outros países e ainda não haviam conseguido retornar ao Brasil. Agora retornarão não precisando passar por nenhum processo seletivo que se lhes comprove a capacidade.

Não precisarão passar pelo processo de revalidação de diploma. Bastará que se submetam a um “cursinho intensivo de acolhimento”, um programa de três semanas com aulas de legislação, saúde indígena e doenças tropicais e então estarão aptos a atender aos brasileiros.

Estarão?

Dos 3.511 municípios que pediram por mais médicos ao Ministério da Saúde somente 16,5%  com ao menos um profissional, apostaria que justamente as localidades mais carentes não despertaram nenhum interesse dos médicos candidatos.

Agora as portas se abriram.

O Ministro candidato ao Governo de São Paulo não atribui o fracasso do “Programa Mais Médicos” a falhas institucionais ou estruturais na política de saúde. Não é a falta de uma política de cargos e salários, não e a falta de investimentos e nem o fato de que as instituições que atendem pelo Sistema Único de Saúde estão deste de 1996 sem sofrer qualquer reajuste linear. Não é a falta de uma política de interiorização da saúde.

Para o Ministro Alexandre Padilha fica claro que o fracasso do objetivo do programa é que nosso país não tem o número suficiente de médicos e está decretado.

Agora poderá ser cumprido o objetivo de trazer de Cuba o propalado contingente de 6.000 mil profissionais. Tarefa mais fácil, pois da ilha, uma ditadura, o envio de médicos é compulsório com pagamento feito direto ao Estado Cubano.

Dr. Mario da Costa Cardoso Filho – Médico Clinico, Diretor Secretário da Sociedade Brasileira de Clinica Medica, Diretor Técnico da Sociedade Portuguesa de Beneficência e Ex-Presidente da Associação Médica Brasileira