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O bataclan de Brasília

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 08/09/2013 Colunista: Carlos Pinto

“Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim, a negligência do

camponês.”

(provérbio zen)

 

Este episódio que envolve a não cassação do deputado Natan Donadon pela Câmara dos Deputados, evidencia como a negligência dos eleitores brasileiros, concorre para macular a política nacional. Ao eleger sem a mínima preocupação com o futuro, votando por uma cesta básica ou deixando-se levar por belas palavras ditas em programas eleitorais, acabamos por eleger cidadãos cujo lugar certo é a Penitenciaria da Papuda, ou suas congêneres.

O espetáculo indigno proporcionado pela Câmara dos Deputados, ao poupar o mandato de um criminoso condenado pela justiça e que, portanto, de acordo com a nossa legislação perdeu seus direitos políticos, está acima de qualquer falta de vergonha e caráter. E não é o caso de se apontar apenas os que votaram a favor do deputado gatuno, mas também, todos aqueles que se abstiveram de votar, e também, os que simplesmente faltaram na hora da votação.

A cada minuto que passa, nossos representantes no Congresso Nacional mais se aviltam, deixando claro que não têm qualquer compromisso com a ética, com a honestidade e com o próprio povo. Seria bom que os eleitores de uma vez por todas, refletissem sobre o mal que estes homens fazem ao país, e simplesmente os extirpassem do cenário nacional.

Tal qual a novela de Dias Gomes, o Congresso virou o maior bordel de Brasília, assumindo a edificação do antigo “Bataclan”, onde todo tipo de negociação é válida, desde que alguém leve alguma vantagem. Nunca soube que em episódios desta natureza, fosse facultado ao deputado em julgamento, o direito de votar. O cidadão chegou de camburão, algemado, e após a realização do espetáculo circense, voltou para o presídio da Papuda, devidamente algemado e de camburão. Em verdade, trata-se de uma cena digna de um texto do teatro de absurdo, que fez a fama de dramaturgos da extirpe de Beckett, Qorpo Santo, Arrabal e tantos outros autores.

Só falta agora o deputado Donadon criar seu próprio partido político, junto com seus novos companheiros de crime, que bem poderia ser o PP – Partido da Papuda, e tratar de registrá-lo no órgão competente. Ou talvez quem sabe, pedir sua filiação no PCC e concorrer nas eleições do próximo ano. O que nos interessa na verdade, é saber de que forma a mesa diretora da Câmara dos Deputados vai encontrar uma saída para superar esta nojeira toda.

A verdade é que não dá para aceitar essa palhaçada. Me parece que os membros do Congresso estão totalmente surdos, e não ouvem a voz rouca das ruas. Talvez venham a ouvir o silêncio das urnas. Eleitor que se preze, que goste de sua família, do seu país, não pode mais votar em nenhum destes elementos que hoje constituem o nosso quadro de representantes.

Se é para ser roubado, se é para ser enganado, vamos pelo menos mudar o quadro de representantes. Talvez os novos sejam menos ávidos na defesa de seus interesses, e passem a cuidar com mais carinho, dos interesses coletivos da Nação.