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Crônica de uma saída anunciada

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 29/09/2013 Colunista: Carlos Pinto

“A razão de um cachorro

ter tantos amigos, é que

ele abana o rabo em vez

da língua.”

(anônimo)

 

Quando Orestes Quércia faleceu, iniciou-se dentro do PMDB paulista uma verdadeira caça às bruxas. Seus amigos foram defenestrados do Diretório Estadual, através de uma esdrúxula forma de “demissões voluntárias”, solicitadas pelos novos “donos” do espaço. Para alguns, como é meu caso e de outros membros com ligação maior com o falecido, nem isso foi solicitado. Fomos devidamente “cassados” de nossos cargos que obtivemos por eleição. E nem satisfação nos deram.

No meu caso, o fato tornou-se até interessante. Afastado de meu emprego na Petrobrás em uma “cassação branca”, durante o regime militar, fui novamente “cassado” pelos novos donos do poder peemedebista, em pleno regime democrático. Como diria Paulinho da Viola, “coisas da vida minha nêga”. Após esse fato, realmente as coisas azedaram, em matéria de relacionamento entre o Diretório Estadual e o Diretório Municipal de Santos.

Desde então a situação do ex-prefeito João Paulo Papa dentro do partido, ficou à deriva. Tratado com desdém pelos novos dirigentes e pela própria bancada do partido, até em razão das falsas verdades que algumas “vivandeiras” de Santos teimavam em levar aos ouvidos dos novos “donos”, apenas com o intuito de se favorecerem no futuro. Tem um dito popular que esclarece muito bem esta postura das ditas “vivandeiras”: cada um dá o que tem.

E uma dessas “vivandeiras” se arvora agora em critico desta saída anunciada, e para a qual muito colaborou com sua postura demagógica, pouco ética e eivada em ações que sempre procuraram desunir o PMDB santista. Poderia ter criticado o ex-prefeito quando foi aquinhoado com cargos durante os oito anos de gestão do Papa. Cargos que pleiteou com sua conhecida verve autoritária.

Agora, fazer alusões ao naufrágio do transatlântico italiano, só posso entender com mais uma de suas bravatas para poder obter meia dúzia de linhas na mídia. Melhor seria se concentrasse seu tempo, em preparar sua defesa para aquilo que responde sub-judice.

Com seus caminhos bloqueados dentro do PMDB, ao ponto de receber uma negativa ao pleitear legenda para concorrer à Assembleia Legislativa, não restava outro caminho ao ex-prefeito, senão procurar novos rumos, o que na verdade é um direito legitimo.

E para essa negativa muito concorreram as “vivandeiras” de plantão, que ávidas em afagar o ego dos atuais “donos” das legendas, que andam sendo oferecidas em cada esquina, na procura de um rabo de chapa que lhes permita manter os atuais mandatos. Para quem desconhece, “vivandeiras” era o termo pelo qual os militares aquinhoavam os civis que, durante o regime militar, procuravam os quartéis com a finalidade de “entregar” desafetos e pedir cargos em qualquer nicho governamental. Foi assim que algumas delas conseguiram a cassação do prefeito eleito Esmeraldo Tarquínio.

Que o ex-prefeito seja feliz no partido que escolher. Tem um eleitorado que independe do partido onde estiver. É claro que lamento, mas não julgo. Quanto a mim, vou continuar no PMDB para aloprar um pouco mais os vendilhões do templo. Não tenho qualquer veleidade eleitoral, portanto, estou à caráter para o que der e vier. Ao contrário dessas “vivandeiras”, eu tenho uma história a zelar, o que me parece não ser o caso delas.