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E la nave va...

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 31/10/2013 Colunista: Carlos Pinto

Ela nave va...

 

“Não existe vento favorável,

para o marinheiro que não

sabe aonde ir.”

(Sêneca)

 

Há uma síndrome de privatizações assolando o país. Privatizações que são eufemisticamente denominadas de partilhas, concessões ou terceirizações de serviços culturais através de ONG´s. Aprendi que partilha, é coisa que as quadrilhas realizam após qualquer assalto, assim como, a entrega de bens culturais nas mãos de organizações distantes dos interesses da raiz cultural brasileira, é sempre algo perigoso. Em ambas as situações, quem é aviltada é a soberania nacional.

Na questão que envolve esse fatídico leilão do campo de Libra, onde compramos aquilo que já era nosso, a coisa assume ares de entreguismo. Desde os tempos em que era funcionário da Petrobrás, em nossas discussões internas no Sindicato, já sabíamos da existência desse lençol petrolífero que se estende pelo litoral do sul / sudeste, até o Espirito Santo. Já escrevi sobre Richard Burton, que no início do século passado foi Consul da Inglaterra em Santos, e que era geólogo de formação.

Esse diplomata em suas horas vagas, e que eram muitas, mapeou toda a região acima mencionada, tanto por mar como por terra, realizando estudos tanto na prospecção de campos marítimos de petróleo, quanto de jazidas de xisto betuminoso. E por divulgar tais estudos, foi retirado do país pela Inglaterra, e nunca mais se ouviu falar dele. Portanto, não se trata de “descobertas” deste ou daquele. Simplesmente alguém resolveu ir atrás e confirmou a existência daquilo que Burton já havia cantado a bola.

Agora, daí a “entregar” tais jazidas em um leilão como se fosse um tapete persa, ou uma obra da Dinastia Ming, torna-se difícil entender, seja qual o nome que se dê a essa manobra econômica. O mesmo na questão cultural. Eu costumo dizer que “quem não tem colírio usa óculos escuros”, que é mais ou menos o seguinte: quem não tem competência não deve se estabelecer.

Os governos gastam verbas na construção de equipamentos culturais, em alguns casos com a participação ativa da iniciativa privada, para posteriormente entregá-los a uma ONG qualquer, quase sempre formada por apaniguados, para que tais organismos os gerenciem e obtenham renda para sustentar a referida organização. Tem algumas que já estão infiltradas em órgãos estaduais, onde o compadrio e o nepotismo são marcas de uma política distante dos interesses do povo.

E a mídia chapa branca apoia tais desmandos, desde que as verbas publicitárias caiam em seus cofres, e seus proprietários possam ostentar belos apartamentos e mansões de final de semana, algumas até no exterior. E assim, “la nave va…” sabe Deus até quando. O certo é que um dia a casa cai, principalmente quando os eleitores adotarem uma consciência política, e deixarem de “vender” seus votos por míseros reais ou cestas básicas.

Só espero que as transformações que o país necessita, não ocorram através da força. Já tivemos tal experiência e parece que a classe política não aprendeu nada.