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Gatunagem a todo vapor

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 07/11/2013 Colunista: Carlos Pinto

“Aquele que mais estima

 o ouro do que a virtude,

há de perder a ambos.”

(DA)

 

O noticiário da grande imprensa, escrita e televisada, tem se debruçado sobre a descoberta de uma verdadeira quadrilha que vinha furtando os cofres públicos da Prefeitura de São Paulo, formada por funcionários de carreira. Segundo os dados divulgados, mais de meio milhão de reais teriam sido desviados, em função da ação desses maus funcionários.

As vítimas ou cúmplices, seriam grandes construtoras que ao procurar o habite-se de suas obras, concorriam para os cofres da quadrilha, ao invés de saldarem corretamente os impostos devidos à municipalidade. Quatro foram presos, mas começam a surgir outros elementos, apontados por um dos detidos que está se valendo da delação premiada.

E o que se descobre é que o escritório dessa quadrilha, ao qual denominavam de “ninho”, foi alugado pelo irmão de um Deputado Federal, cuja ligação com o ex-prefeito Gilberto Kassab é notória. O caso já havia sido denunciado ainda na gestão do ex-prefeito, mas foi arquivado sem maiores delongas, o que compromete a autoridade que mandou arquivar sem a realização da competente investigação.

Mas o que assombra é o número de imóveis adquiridos pelos membros dessa quadrilha, tais como apartamentos de alto luxo, carros importados, motos e até um resort de alta categoria. E os caras de pau estavam tão certos da impunidade, que colocaram tal patrimônio no próprio nome. O que se espera é que a justiça aliene esses bens em favor do verdadeiro dono que a Prefeitura da Capital. E mais, que se cobre das construtoras envolvidas, o que devem ao erário municipal.

Alguns desses imóveis estão localizados em Santos, em prédios cujos preços do metro quadrado estão fora do alcance de qualquer assalariado, por melhor que seja esse seu salário. E assim caminha o Brasil. É raro o dia em que a imprensa não detona um escândalo envolvendo agentes do poder público, que foram pilhados pelo Ministério Público agindo contra a ética, a moral e os princípios de honestidade que regem a conduta desses agentes.

O que se espera, é que o judiciário não leve anos para determinar as penas dos envolvidos nesse novo escândalo, a exemplo do chamado “mensalão”, que até hoje não teve uma definição final, graças a artimanhas e artifícios das nossas leis, tão pródigas em favorecer os delinquentes.

O mesmo com relação ao imbróglio que envolve as empresas Siemens e Alstom, com contratos com o governo do estado, ligados a malha ferroviária e as linhas do metrô paulistano. A verdade é que estamos cheios de ser roubados na maior cara dura, e ver que a justiça é morosa e tardia, quando ocorre. Enquanto isso  somos escorchados diariamente, com impostos e mais impostos, como a se repetir a estória da derrama dos tempos coloniais.