Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Online » Fórum

Ópera bufa na prisão

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 18/11/2013 Colunista: Eraldo José dos Santos

Mais surpreendente do que a prisão dos mensaleiros, sobretudo para os mais descrentes na existência de punição àqueles que saqueiam os cofres públicos, será constatar em futuro breve a ascensão de todos os condenados, neste caso como mártires, como se autoproclamam. E, mais do que isso, o retorno ao poder “pelos braços do povo”. Por óbvio que, dos condenados, os que integram a ala política, nenhum está preocupado com a privação da liberdade. Pois sabem que logo estarão nas ruas, ou cumprindo as chamadas prisões domiciliares.

Querem – e para isso já encenaram o primeiro ato da ópera bufa –, convencer os ainda céticos, de que foram vítimas da grande mídia e das elites que não toleram o Partido dos Trabalhadores. E muito menos a ascensão de um operário à Presidência da República, e que teria promovido a tão sonhada “reforma de base”, tirando os miseráveis da fome e promovendo o desenvolvimento do Brasil.

Os defensores dessa tese estão em todos os cantos. Como pragas se multiplicam nas redes sociais, desancando desafetos e, sobretudo, satanizando os que não comungam das mesmas ideias. A grande verdade é que nunca antes neste país houve um exército tão numeroso para defender bravatas e sandices e que se encolhe quando se revelam as iniquidades que praticam contra os trabalhadores. Querem exemplos: e entrega de terminais portuários para capitalistas que exterminam a mão de obra especializada de trabalhadores do porto; a manutenção do fator previdenciário, herança maldita do Governo FHC, e que tira dos trabalhadores a esperança de dias de paz na aposentadoria.

Contra estes crimes o exército do PT não se levanta. Prefere a prática do maniqueísmo canhestro de que eles representam o bem; e todos nós que não pensamos ou muito menos agimos como eles, somos a encarnação do mal.

Não se iludam, toda essa encenação dos mensaleiros e cuequeiros representa uma bem articulada trama para trazê-los novamente ao poder, como ocorreu com Fernando Collor de Melo. Ou já se esquecerem?