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O adeus a Mandela

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 15/12/2013 Colunista: Carlos Pinto

O adeus a Mandela

O adeus a Mandela

 

“Todos estamos de visita neste

momento e lugar. Só estamos de

passagem. Viemos observar, aprender,

crescer, amar e voltar para casa.”

(provérbio aborígene australiano)

 

 O falecimento de Nelson Mandela, coloca um fim na vida de um dos mais ilustres homens destes dois últimos séculos. Desnecessário renovar as informações sobre a sua luta, seus vários anos de cárcere, a luta armada que liderou em busca da liberdade e dos direitos do seu povo. Em determinados serviços de informação de países capitalistas, Mandela foi considerado por muito tempo como um terrorista. Ledo engano. Quem luta uma luta justa contra um sistema como o “apartheid”, jamais será um terrorista.

O regime do “apartheid”, adotado na África do Sul pelo Partido Nacional em seus sucessivos governos de totalidade branca, era especificamente um regime de segregação racial, que durou de 1948 até 1994, cometendo todos os crimes e barbáries contra a maioria negra. E o Mandela é que era terrorista?

Este sistema de segregação racial teve início no período colonial, dando guarida à criação do “apartheid” logo após as eleições de 1948, onde os negros foram privados de sua cidadania. A eles eram negados os serviços públicos de educação, saúde, além de outros, recebendo apenas serviços de qualidade inferior. O “apartheid” colocou em vigência na África do Sul, uma violência crescente, semeando na população negra um significativo movimento de resistência, que levou ao cárcere vários dos líderes desse movimento, entre eles, Nelson Mandela.

Se alguns países estabeleceram um embargo comercial contra a África do Sul, este regime durou quase cinquenta anos, levando o terror, a violência aos negros sul-africanos. E foi Mandela quem os liderou na conquista de seus direitos, de sua liberdade, através das eleições multirraciais de 1994, vencidas pelo Congresso Nacional Africano, liderado por Mandela.

Apesar dos vários anos em que se viu confinado em uma pequena cela, ao ser libertado Nelson Mandela tratou de trocar todo e qualquer tipo de ódio, pelo amor ao seu país e sua gente. Uma de suas frases “odeio o ódio”, é bem significativa. Como Presidente tratou de reorganizar o país e estabelecer um diálogo entre as raças, inclusive através do esporte, proporcionando o início de um entendimento nacional. Viveu uma vida simples como Presidente, e tornou-se um dos principais líderes mundiais. Mas os tempos de cárcere abalaram em muito a sua frágil saúde.

Deixa um exemplo de estadista, que deveria ser copiado por alguns pretensos líderes de países sul americanos. Deixa um exemplo de amor ao seu povo, que também deveria ser imitado por governantes que só se preocupam em colocar as mãos nos cofres da Nação. Fica apenas uma questão: o que acontecerá na África do Sul após Mandela?