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A vida e morte Severina de Silnei Siqueira

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 26/12/2013 Colunista: Carlos Pinto

A vida e morte Severina de Silnei Siqueira

 

“Para onde quer que tu vás,

vai todo, leva junto, teu coração.”

(DA)

 

Corria o ano de 1965, e em plena França, no Festival de Teatro de Nancy, o Brasil pelas mãos de Silnei Siqueira torna-se ganhador do prêmio máximo do certame, além de levar também como melhor diretor. “Morte e Vida Severina”, um poema de João Cabral do Melo Neto, tornou-se nas mãos de Silnei um espetáculo épico, que tive o prazer de assistir no Teatro do TUCA. Um trabalho que está na história do teatro brasileiro, que rendeu ao seu diretor e criador, algumas páginas em uma das maiores publicações teatrais da Europa, a revista “Les Voies de la Création Theatrale”.

Ainda em “Morte e Vida Severina”, Silnei lançou um dos ícones da música popular brasileira, que até então era um desconhecido estudante de arquitetura: Chico Buarque de Holanda, além de tornar mais visível para o público brasileiro, a poesia de João Cabral do Melo Neto. Era um espetáculo digno e comovente, que lotava todas as apresentações na Capital paulista, e em suas apresentações por várias cidades brasileiras.

Silnei era um sujeito simples e cativante. Formado em direito ao tempo em que se iniciava no teatro amador através de um grupo da Escola Mackenzie. Logo após se formar, entrou na Escola de Arte Dramática, que ainda tinha Alfredo Mesquita em sua direção. Suas experimentações iniciais nos palcos foi como ator, através de encenações do grupo Jovens Independentes, fundado por Laerte Morrone, e que tinha a direção de Maria Cândida Teixeira.

O diretor italiano Ruggero Jacobbi também teve participação neste início de carreira de Silnei, quando sugeriu a ele que fizesse parte do Teatro Paulista de Estudantes. Posteriormente o levou para o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia. Dedicou-se também a trabalhos na TV, mas decidiu-se por dedicação exclusiva ao teatro, com trabalhos de direção. Dirigiu inclusive algumas óperas, tais como: “O Guarani” e “O Barbeiro de Sevilha”, entre outras.

Em 1969 assina a direção de um texto de Renata Pallottini, intitulado “Pedro Pedreiro”, onde conta novamente com a colaboração de Chico Buarque. Seguem-se dezenas de trabalhos de renomados autores nacionais como Ariano Suassuna, César Vieira, Maria Adelaide Amaral, José Eduardo Vendramini, Abílio Pereira de Almeida, Chico de Assis, Martins Pena, Marcos Caruso, e muitos mais.

Como ator trabalhou sob a direção de Alfredo Mesquita, Alberto D´Aversa, Osmar Rodrigues Cruz e Flávio Rangel. Foi um grande colaborador do teatro amador paulista, através de cursos que ministrava, palestras e membro de comissões julgadoras de festivais. Sua morte abre uma lacuna no painel de nossas artes cênicas, quer seja por sua competência como homem de teatro, quer seja pela forma de vida adotada. Teremos imensas saudades, mas também a certeza de que a partir deste fim de semana, haverá uma nova estrela brilhando nos céus do universo.