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Inteligências, crimes e marketing político

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 12/01/2014 Colunista: Eraldo José dos Santos

A se acreditar no centenário jornal de Santos e na entrevista do diretor do Deinter 6, delegado Aldo Galiano, o governador Geraldo Alckmin estará reeleito para mais uma temporada no Palácio dos Bandeirantes. Contrariando toda a realidade, o jornal afirmou em manchete, na edição deste domingo (12.01.14): ‘Inteligência policial reduz criminalidade na região’. A assertiva não corresponde à realidade das ruas.

Mais uma vez, para tentar enganar os munícipes e eleitores, as estatísticas são manipuladas, sobretudo a partir da análise ainda que meramente superficial dos números apresentados pela própria Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Tomemos por exemplo os números relativos a homicídios. Foram, segundo a Secretaria de Segurança Pública, 242 casos em 2012 contra 222 no ano passado, o que teria propiciado uma redução de 8% nos homicídios.

Os estudiosos de segurança pública sabem que não existem ações científicas preventivas contra essa modalidade de crime, até porque são inesperadas e ocorrem em todas as camadas sociais. E, claro, com maior incidência, em locais onde o estado está ausente. Portanto, é falaciosa essa propalada ‘inteligência policial’ na redução de homicídios.

Em contrapartida, os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentaram 44%. Para conter essa modalidade de crime há sim técnicas científicas, mas pelo resultado vê-se claramente que o Estado e a Polícia de São Paulo, em especial o Deinter 6 e o Comando de Policiamento de Área 6 – da Polícia Militar, foram reprovados nesse quesito. Há que se considerar ainda que o latrocínio é um crime altamente reprovável por ofender o bem mais precioso de todo ser humano – a vida; e ofende da mesma forma o patrimônio.

Há que se considerar, também, a reprovação da atuação policial na prevenção de roubos, pois dos 16.237 em 2012 subiu para 17.316 casos no ano passado, um acréscimo de 7%. Portanto, falhou novamente a ‘inteligência policial’.

O delegado do Deinter 6 aponta também redução de 10% no número de furtos de veículos. Nesse caso a redução não se deve a qualquer ‘inteligência’, mas sim em razão da adoção, por parte dos proprietários de veículos, de dispositivos de segurança que, se não impedem, pelo menos dificultam a ação dos marginais.

Tem razão o delegado do Deinter 6 ao falar da falta de renovação dos quadros da polícia da região. Há um ano no cargo, Galiano encontrou uma polícia envelhecida, desanimada e cheia de vícios. A começar por alguns poucos que sequer desocuparam a cadeira onde estavam, não cedendo às mudanças pretendidas pelo novo diretor. Mediante ações políticas mantiveram suas cadeiras.

Houve, ainda, o equívoco relacionado à Delegacia de Combate a entorpecentes. O novo diretor desarticulou uma equipe das mais capacitadas e, passados quase 10 meses, reconheceu o erro e reconduziu a equipe do delegado Francisco Garrido à chefia da Delegacia de Narcóticos. 

Nesse primeiro ano à frente do Deinter 6, o delegado Galiano deu mostras de que realmente pretende implementar ações que resultem, efetivamente em segurança para a população. Sabemos, também, que mais não fez por deficiência do próprio Estado que tem pecado muito nessa área e, agora, às vésperas das eleições, tenta virar o jogo com ações de marketing político.