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Um Papai Noel chamado Brasil

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 03/02/2014 Colunista: Carlos Pinto

 

Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim, a negligência do

camponês.”

(provérbio zen)

 Em sua visita à Etiópia no ano passado, como convidada para a festa dos cinquenta anos da União Africana de Nações, entidade que reúne cinquenta e quatro países, a Presidenta Dilma Rousseff foi vestida de Papai Noel. Segundo os jornais europeus, além de pagar a festa realizada em Adis Abeba, anunciou também o que chamaram de um pacote de bondades: perdoou a dívida de 12 países dessa União, num total de novecentos milhões de dólares.

Os países beneficiados, muitos dos quais contraíram tais dívidas nos anos setenta, são: Costa do Marfim, Tanzânia, Gabão, Mauritânia, São Tomé e Príncipe, República da Guiné, Zâmbia, Senegal, Guiné Bissau, República do Congo, República Democrática do Congo e Sudão. Os menos desavisados poderiam supor que tais países não têm como saldar os compromissos financeiros assumidos com o Brasil.

Ocorre que a República do Congo, que recebeu um perdão de 352 milhões de dólares; a Tanzânia, cujo perdão alcançou a cifra de 237 milhões de dólares; a Zâmbia, cujo perdão foi de 113.4 milhões de dólares, possuem reservas consideráveis de petróleo, gás natural e cobre. Com tais reservas não podem pagar o que devem? E boa parte das nações que compõem a União Africana, são dirigidas por ditadores, que passam a milhares de quilômetros de distância de um regime democrático.

No Brasil a nossa imprensa passou batida, sem muito alarde, o que já não ocorreu com a imprensa europeia, principalmente o El País, da Espanha, que noticiaram o fato com destaque. E qual é o fundamento desse pacote de bondades? Ocorre que a nossa legislação não permite novos empréstimos a países devedores. Perdoando a dívida, os africanos ficam à vontade para usufruir dos pesados impostos que os trabalhadores e empresários brasileiros, recolhem mensalmente ao erário federal.

O mais interessante é que na mesma época, o Ministro Mantega negou perdão à dívida de estados e municípios brasileiros. Com certeza estava fazendo caixa para aplicar os mais de um bilhão e trezentos milhões de dólares no porto de Mariel, em Cuba, que após a recente visita da Presidenta Dilma deverá receber mais setecentos milhões de dólares. Anteriormente, em 2010, o Presidente Lula já havia perdoado parte da dívida da Nigéria, algo em torno de 160 milhões de reais, e após largar a presidência, em viagem pela África, aportou na Nigéria. Sua viagem para fazer palestras, foi noticiada como patrocinada pelas construtoras Andrade Gutierrez. Odebrecht e Queiróz Galvão. Essas mesmas que aportaram em torno de 27 milhões de reais na campanha eleitoral da nossa Presidenta.

Enquanto isso nossa saúde escoa pelo ralo, a educação não tem a mínima qualidade e a segurança pública inexiste. Enquanto nossa grana viaja para fazer a felicidade de outros (sic) povos, muitos dos quais governados por ditadores, estamos nos tornando uma Nação violenta, e cujo desfecho não está difícil de prever.