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A agonia do Festival de Teatro de Rio Preto

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 16/02/2014 Colunista: Carlos Pinto

 

 

“Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de expressão

mais autênticas, jamais será um povo livre.”

(Plinio Marcos)

 

É com certa tristeza que venho observando nos últimos anos, a agonia do FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, um evento que teve sua primeira edição iniciada em 6 de julho de 1969, ainda como um Festival de caráter nacional. Nesta primeira edição participaram onze espetáculos de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que teve como vencedor “Senhora dos Afogados”, da cidade de Penápolis / SP.

Foi uma batalha encarada por um grupo de amadores ligados à Federação de Teatro Amador sediada em São José do Rio Preto, ligados à COTAESP – Confederação de Teatro Amador do Estado de São Paulo. Entre os fundadores do FIT temos que destacar a participação de Dinorath do Valle, à época Diretora da Casa de Cultura de Rio Preto, mais Humberto Sinibaldi Neto, José Eduardo Vendramini, Ricardo Albuquerque, Maria Cristina Miceli, entre outros, considerados como fundadores do certame.

É preciso que se destaque a participação de Adail Vetorazzo, então prefeito de São José do Rio Preto, um político com visão cultural, que deu todo apoio ao evento, além de ser o responsável direto pelo município conquistar o seu Teatro Municipal, através de convênio com o Governo do Estado.

Com o tempo o Festival ganhou conceito e se transformou em Internacional. Antes disso, o evento deixou de ser realizado em alguns anos, por absoluta falta de condições financeiras e total desinteresse por parte dos organismos culturais do município, Estado e União. Tiveram também seus atropelos com a censura e as visitas de agentes do SNI, durante o período do governo militar.

Na primeira edição internacional, o governo brasileiro negou visto para o grupo francês que apresentaria o espetáculo “Don Juan”, e entre sustos e surpresas o FIT ganhou sua notoriedade internacional. Revelou atrizes do porte de Elba Ramalho, mostrou ao Brasil a sensibilidade de diretores como Carlos Alberto Sofredini, Nitis Jacon, Wilson Geraldo, entre outros. Ganhou o apoio do SESC que passou a patrocinar o evento e deu-lhe uma nova concepção.

Mas aos olhos do atual governo municipal do prefeito Waldomiro Lopes da Silva, o patrocínio do SESC estava incomodando. Sempre soube que quem paga a conta é quem dá as cartas em qualquer evento. Mas o prefeito e seus assessores entendem que o SESC deve pagar e eles devem mandar. O que se esperava aconteceu. O SESC desistiu de patrocinar o FIT e a Prefeitura sozinha não tem como arcar despesas que alcançam os dois milhões de reais.

Já adiaram o evento para agosto ou setembro, evento que sempre foi realizado em julho, e não sabem como tocar o bonde. Sem o SESC, e com o descaso que os governos do Estado e da União devotam ao item cultura, o que estamos assistindo é a agonia, a morte lenta de um dos principais eventos culturais do país: o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.