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Fora de foco

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 02/03/2014 Colunista: Eraldo José dos Santos

O anúncio do delegado-chefe da Polícia Civil na Região (Deinter/6), Aldo Galeano Júnior, no sentido de que a polícia vai receber uma embarcação para conter a onda de roubos no trecho de mar e também nos terminais portuários da região é mais uma frase de efeito que se perde no vazio. Segundo o delegado, a Polícia está reativando o Grupo de Operações Tático-Náutico (GOE-Náutico) depois de dois anos de inoperância por falta de recursos.

A única embarcação existente estava parada há dois anos e há poucos dias voltou ao patrulhamento, depois de reparos no motor. Com uma nova embarcação, cedida pela Petrobras, o delegado acentua que serão realizadas rondas noturnas para conter até mesmo a pirataria.

Como autoridade o delegado sabe que pirataria não ocorre com os navios atracados no porto, mas sim quando estão fundeados ao largo da barra aguardando atracação. E de há muito não há registro dessa modalidade de crime.

Os marginais, ávidos por dinheiro fácil, elegeram os caixas eletrônicos. E procuram agir com a maior rapidez possível. É por isso que abandonaram o pé de cabra e o maçarico, logística que demandava muito tempo. Hoje utilizam explosivos, os chamados power gel que conseguem com a maior facilidade, embora se trate de material de restrita circulação e rígida fiscalização das Forças Armadas. Pelo menos é assim que está previsto na legislação, mas grande parte desse material está nas mãos de quadrilhas e do crime organizado.  

Em muitos ataques a caixas eletrônicos as quadrilhas fugiram pelo mar, apontado como excelente rota de fuga. Vem daí, acredita-se, a preocupação com o policiamento aquaviário.

Mas antes de dirigir as baterias para o Mar, o chefe da Polícia Civil na região deveria congregar esforços para garantir a segurança em terra. Há anos que marginais vêm assaltando motoristas e demais usuários do Sistema Anchieta Imigrantes. Nos últimos tempos essa atividade criminosa voltou a ocorrer numa frequência assustadora.

Na última sexta-feira motoristas e demais ocupantes dos veículos que vinham à Baixada ficaram em pânico com o ataque de assaltantes. Arrastões se formaram nas estradas, sem que as autoridades conseguissem garantir um mínimo de segurança.

No dia anterior, na Anchieta, a 30 metros da entrada da Cidade, um juiz de Direito também foi assaltado. Ele estava no carro com sua noiva e duas outras moças que vieram passar o Carnaval em Santos.

Indignado com a situação, o magistrado protestou em sua página no Facebook apontando a ausência do Estado. “Nada do Estado, nada da Polícia, nada de Segurança. Todos reféns, ao governo dos bandidos. Uma sucessão demasiadamente lamentável de cenas. Sequer podia exigir solidariedade do vizinho ao lado, porquanto todos estavam drasticamente diminuídos, apequenados dentro de seu carros”. E finalizou: “Estamos todos órfãos! Até quando estaremos reféns dessa omissão estatal?”.

Numa outra situação não menos dramática uma família também quase foi acuada por marginais que elegeram a Baixada como terra de ninguém. O resultado só não foi fatal porque a blindagem do veículo que ocupavam reteve os sete tiros disparados pelos assaltantes.