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José Wilker: um arquiteto do Teatro

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 07/04/2014 Colunista: Carlos Pinto

José Wilker: um arquiteto do Teatro

“A arte da vida consiste,

em fazer da vida,

uma obra de arte.”

(Indira Gandhi)


José Wilker desponta para as artes cênicas no magistral espetáculo de Fernando Arrabal, “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, dirigido por Ivan Albuquerque, onde Wilker contracenou com um dos maiores atores revelados pelo teatro brasileiro: Rubens Corrêa. Uma encenação realizada no Teatro Ipanema, que viria a tornar-se a casa de José Wilker, em toda a sua carreira teatral.

Sobre esta montagem, a crítica de Décio de Almeida Prado explora o trabalho do dramaturgo espanhol, um dos expoentes do chamado teatro da crueldade, que tem por principais características “um teatro ao mesmo tempo selvagem e moderno, capaz de desvincular-se das amarras intelectuais, de retornar ao concreto do corpo do ator, conferindo ao espetáculo as proporções de um ritual mágico coletiv”

A maioria dos noticiários sobre o falecimento de José Wilker se restringe apenas ao trabalho desenvolvido na TV e no cinema, onde realmente se colocou com um dos principais atores brasileiros. Natural de Juazeiro do Norte, Ceará, terra do meu amigo Fábio Nogueira, atual Secretário de Cultura de Presidente Prudente, ambos moravam na mesma rua. Wilker aos treze anos,  muda para Recife, onde começa a trabalhar como radialista.

Sua estreia como ator profissional aconteceu em 1962, no espetáculo “Julgamento em novo sol”. No ano seguinte se transfere para o Rio de Janeiro, onde faz um curso de interpretação com um cineasta sueco. Seu primeiro trabalho em cinema acontece em 1965, onde faz uma ponta no filme “A Falecida”, de Nelson Rodrigues, estrelado por Fernanda Montenegro, que por sinal, também estreava no cinema. Trabalhou em mais de quarenta filmes, onde despontaram sucessos como “Bye, Bye, Brasil”, “O homem da capa preta”, onde personifica a figura de Tenório Cavalcanti, célebre político da Baixada Fluminense. Além do magistral “Guerra de Canudos”, um épico sobre parte da história do Brasil.

No Teatro Ipanema outros espetáculos deram representatividade ao seu trabalho, como: “O Assalto” e “Hoje é dia de rock”, no final dos anos sessenta. Espetáculos que na visão de Yan Michalski, crítico do Jornal do Brasil, “contribuíram na renovação experimental da cena carioca.” Mas indubitavelmente a encenação de “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, no período antes assinalado, foi a grande vitrine para florescer o trabalho de um ator de primeira qualidade, como era o caso de José Wilker.

Um trabalho que teve na preparação corporal dirigida por Klauss Vianna, um dos pontos altos, pois durava três horas essa encenação. Para Yan Michalski, tal preparação corporal foi “talvez a melhor que tenha visto no teatro brasileiro.” A morte de José Wilker, encerra uma das boas fases do teatro e cinema do Brasil. Perde a cena brasileira, um dos seus principais atores, além de um diretor de primeira grandeza.