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No fundo do poço

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 16/04/2014 Colunista: Carlos Pinto

Não passa um dia sem que novas denúncias de corrupção sejam veiculadas pela imprensa. E não se trata de imprensa avessa ao PT, ou PSDB ou PMDB, ou qualquer partido envolvido com o governo federal ou  estaduais.

Todos os órgãos de comunicação se esmeram em procurar novos documentos que evidenciem cada vez mais, o que maus brasileiros estão fazendo com a Petrobrás, com os programas de saúde, educação, transportes e demais itens onde o erário, seja o grande cofre de pagamentos das ilicitudes que se tem conhecimento.

E não se trata de quantias pequenas. São coisas de milhões e bilhões de reais, dinheiro que nos é escorchado através desse maremoto de impostos, pior que a derrama dos tempos coloniais. E o que mais me intriga é essa passividade, essa omissão, essa falta de luta do povo brasileiro, que além de ser assaltado diariamente nas ruas do país, também é vítima dos assaltantes de colarinho branco, e nada faz.

Nenhum esboço de revolta, de tomada de posição, uns esperando que outros partam para a luta enquanto se espicham no sofá para se indignar intimamente, com novas denúncias de falcatruas, desmandos e irregularidades.

As cadeias estão cheias de assassinos, assaltantes, traficantes e demais “adornos” que identificam a criminalidade, estando agora a receber os políticos que a Justiça, a duras penas, conseguiu trancafiar na Penitenciária da Papuda. Mas falta muita gente nessa Nuremberg brasileira.

A intimidade de que priva esse ex-diretor da Petrobrás, com alguns políticos encastelados em Brasília, alguns dos quais já foram cassados no passado envolvidos em esquemas de corrupção, precisa ser bem esclarecida. Não é só sua ligação com o doleiro, mas o que precisa ser bem aclarado, é sua ligação com a elite dos políticos brasileiros, que começam a aparecer como padrinhos desse cidadão.

E a coisa não se resume apenas ao governo federal. O povo precisa ter conhecimento dos assuntos ligados aos trens e metrô de São Paulo e Brasilia, onde empresas têm sido acusadas de propiciar gordas propinas a funcionários públicos de alto escalão, que estão respingando em políticos, até então, tidos como portadores de ética e conduta ilibada.

Enquanto isso não ficar esclarecido, permanece a mancha, a nódoa, a permear a vida pública desses personagens. O mesmo com relação ao “mensalão mineiro”, onde personagens do “mensalão federal”, também estão envolvidos, além de políticos daquele estado.

O Brasil está no fundo do poço, igualzinho a situação de Singapura, que só foi resolvida pela força. Não queremos isso para o Brasil. Queremos que essa apatia que envolve como um manto a população brasileira, seja desfeita, e nosso povo possa fazer valer sua vontade, na construção de um país sério, sem escândalos dessa natureza.

Não adianta calar jornalistas através de pressão política sobre os donos dos veículos. Temos que calar é essa repugnante corrupção que assola o país. Outubro está próximo, uma ótima hora para expulsar de nossa convivência, essa horda de malfeitores engravatados que assolam a política nacional. Às urnas por mudanças radicais no comportamento da classe política e da sociedade no geral.