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O exemplo da Alemanha

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 14/07/2014 Colunista: Carlos Pinto

 

“A grandeza não consiste

em receber honras, mas

em merecê-las.”

(Aristóteles)

 

 

Merecidamente a Alemanha levou a Copa do Mundo de 2014. Acima de tudo, os alemães deram uma lição de respeito, de humildade e de vontade de vencer. Competência, planejamento e trabalho, são os ingredientes que fazem nesta seleção o ponto alto de suas atuações no evento. Quem se dignou a assistir a excelente entrevista com Beckembauer, ídolo do futebol alemão, campeão do mundo como jogador e técnico, pode entender o que se faz na estruturação do futebol naquele país.

Lá, os clubes são obrigados a manter suas escolinhas de futebol, e vários desses componentes da atual seleção, saíram dessas escolinhas. O governo não coloca um centavo nesse processo, os clubes é que as mantem. Na Alemanha, os clubes não podem gastar mais do que arrecadam, os cartolas não se locupletam como ocorre por estas bandas, pouco se lixando para a situação financeira da entidade que dirigem.

É uma questão de dignidade, de amor à camisa, ao país, e de respeito para com a nação. Os alemães construíram seu próprio centro de treinamento em Santa Cruz de Cabrália, centro esse que doaram para a cidade. Doaram também uma biblioteca para o município, e seus jogadores e comissão técnica se cotizaram para comprar uma ambulância para a cidade, e para atender a aldeia dos índios Pataxós, com os quais interagiram durante toda a sua estada no sul da Bahia. Além disso, estão se propondo a montar uma entidade, cuja finalidade será voltada para o estudo das etnias indígenas que vivem naquela região baiana.

Foi de longe a seleção mais simpática e que mais interagiu com o povo brasileiro, postura que dividem com as seleções do México e da Costa Rica que ficaram em Santos, e da Bósnia, que ficou em Guarujá. Deram exemplo em tudo, e a nossa esperança é que as mudanças que o povo brasileiro reclama para o País, passem necessariamente por uma reformulação nos esportes, principalmente no futebol, alijando do poder esses cartolas cujas atuações trazem a marca da pistolagem e da corrupção.

Dar um basta na intromissão de determinada emissora de televisão, cuja liberdade dentro da Granja Comari também colaborou para a derrocada da nossa seleção. Gravar seus programetes na Granja, introduzir namoradas de jogadores às duas da madrugada na concentração, são fatos que só a permissividade pode permitir. Por outro lado, permitirem que um jatinho levasse um cabelereiro de Santos, para pintar os cabelos de alguns jogadores, é coisa que jamais aconteceria em qualquer outro país.

A Copa acabou. Chegou a hora dos brasileiros acertarem as contas com seus políticos. E na convocação dessa seleção que vai gerir os destinos do país, não cabem erros, permissividades, compra e venda de votos, e outros fatos lamentáveis que ocorrem em tais períodos. A hora é de mudança, principalmente em nossos hábitos de querer levar vantagem em tudo. Por último, parabéns ao povo brasileiro pela hospitalidade demonstrada para com os que nos visitaram durante a Copa, sejam jogadores e turistas. Nesse quesito demos uma grande lição ao mundo.