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A indiscreta face da incompetência

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 12/09/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Não existe vento favorável,

para o marinheiro que não

sabe aonde ir.” (Sêneca)

 

Os fatos se comprovam por si. Ao ouvir os debates dos candidatos, seja a que cargo for, você não encontra nenhuma proposta, por pior que seja, sobre as áreas de cultura e esportes. Quanto aos programas dos candidatos ao executivo, então a coisa corre ladeira abaixo, o mesmo ocorrendo em suas aparições nos comerciais de TV.

Há uma indisfarçável indiferença com relação a estes dois itens, o que nos faz crer que tudo continuará como antes no quartel do Abrantes. No entanto, as últimas revelações feitas por um ex-diretor da Petrobrás atualmente preso pela Operação Lava Jato, sobra dinheiro para a corrupção. E os nomes revelados por uma revista de circulação nacional, nomes esses declinados pelo referido diretor em troca da tal delação premiada, são praticamente os mesmos de sempre.

Há uma gama geral de reclamações da área cultural, com justa razão, pela forma indiferente como os governantes tratam o setor de produção cultural. ‘Aspones’ que ocupam cargos como secretários, em conchavos ou indicações pouco edificantes, por terem um total desconhecimento da área metem os pés pelas mãos, se posicionam como arrogantes, mentirosos, no trato com os referidos produtores e a causa cultural.

 Estamos assistindo e tomando conhecimento nas mais variadas cidades brasileiras, de fatos lamentáveis. Promessas que não são cumpridas, projetos antigos que são atirados na vala comum, sempre com alegação da falta de verbas. No entanto não falta verba para pagar os fantasminhas camaradas, que percebem bons salários, e nunca aparecem para trabalhar. Depois, quando estes ‘aspones’ de luxo são vaiados e hostilizados em público, tem ainda a desfaçatez de agradecer os apupos com mesuras típicas dos bufões.

É uma vergonha para uma cidade que promove um evento internacional, ter seu representante vaiado sonoramente diante de artistas e autoridades de vários países. O povo dessa cidade não merece tamanho desaforo, mas o fato merece uma reflexão maior por parte dos eleitores, quando destinam seus votos a quem não os vai honrar. Mas isso não ocorre apenas nestas bandas. Cidades do interior paulista, governadas por prefeitos insensíveis a causa cultural, e quase todos pertencentes ao mesmo partido, tratam a cultura como se fosse um lixo, talvez porque, sejam desprovidos de um mínimo conhecimento do que representa a cultura na formação da cidadania.

Há um descaso total, uma face indiscreta de incompetência. Quando você tem a Ministra da Cultura mais preocupada em prover lei de incentivo para estilistas de moda desfilar em Paris, pouco se pode esperar de secretários e demais pessoas que ocupam cargos oficiais nessa área, sem o mínimo comprometimento com o setor. Salvo aqui dessa debacle, o atual secretário de Presidente Prudente, Fábio Nougueira, que com apoio do seu prefeito Milton Carlos de Mello, vem realizando um trabalho primoroso. Quanto ao resto, está na hora de deixar de lado a prepotência, tratar com respeito seus funcionários, ou então pegar o boné e ir para casa. Ninguém sentirá a falta.