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A cenografia brasileira e as contradições no palco

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 02/05/2011 Colunista: Carlos Pinto

 

“A coisa mais perfeita que podemos
experimentar é o misterioso. É a
fonte de toda a arte e de toda
ciência verdadeira.”
(Albert Einstein)
 
Até o aparecimento de “Os Comediantes”, no Rio de Janeiro, (1938) a cenografia e os figurinos nos espetáculos produzidos no Brasil, apresentavam um claro descuido e sem qualquer gosto artístico.
 
Sob a orientação deste novo grupo, do qual o santista Miroel Silveira foi um dos fundadores, iniciou-se a prática do entrosamento dos vários elementos de qualquer montagem teatral. Cenários e figurinos passaram a ser concebidos de acordo com as linhas da revolução modernista, sobressaindo-se nesta oportunidade, o artista plástico Santa Rosa.
 
O conjunto da obra harmonizava-se ao toque do diretor, que acentuava os aspectos plásticos das marcações de cena e os efeitos de luz. A partir de então, o palco brasileiro irmanou-se à poesia, ao romance, à pintura e arquitetura brasileiras, com os quais, até então, não mantinha qualquer contato.
 
Em 1948, em São Paulo, quando Franco Zampari inaugura o TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, e abriga diversos cenógrafos vindos da Europa, entre os quais Aldo Calvo, Bassano Vacarini, Tulio Costa, Gianni Ratto e Mauro Francini, vamos experimentar a reprodução e perfeição de montagens européias.
 
Ao experimentar as teorias da cenografia européia, passamos a formar cenógrafos brasileiros da estirpe de Anísio Medeiros, Flávio Império, Hélio Eichbauer, Vladimir Pereira Cardoso e Arlindo Rodrigues, entre outros.
 
De acordo com estes profissionais, o teatro deve estar profundamente arraigado no nosso tempo, seja ele de guerras, de crises ou de paz. Caberia então, à encenação, o papel de organizar o espaço cênico, de acordo com as novas necessidades de expressão.
Antes do aparecimento de “Os Comediantes” e do Teatro Brasileiro de Comédia, e suas tentativas de renovação da cena brasileira, o palco estava estratificado, restringindo-se ora a uma ambientação naturalista, ora a uma encenação puramente formal, desligadas das necessidades sociais e culturais.
 
As novas propostas de encenação viriam a fundamentar-se na relação palco/platéia, abandonando seu isolamento formal, e buscando construir o espaço cênico com o aproveitamento de elementos simbólicos tirados da realidade cotidiana. Tanto os figurinos quanto os cenários passaram então a responder às novas necessidades.
 
A encenação como um todo, passou a aproveitar múltiplos recursos que possibilitam a utilização, mesmo que simbólica, de imagens cinematográficas, bem como das artes plásticas, da publicidade, do jornal, das histórias em quadrinhos.
 
Ao refletir a realidade fragmentada do mundo contemporâneo, a organização cênica passa a obedecer a essa fragmentação estimulando a procura de novos significados.